Uma investigação indicou que o arquiteto catalão Antoni Gaudí trabalhou, pela primeira vez, “sob critérios litúrgicos, e não histórico-artísticos”, na sua intervenção na Catedral de Maiorca, conhecida como La Seu, entre 1904 e 1915.

Mercè Gambús, investigadora da Universidade das Ilhas Baleares (UIB) e doutorada em História da Arte, apresentou na terça-feira as conclusões dos estudos sobre o artista, realizados pela própria catedral, que serão abordados no Gaudí International Congress 2026, que vai decorrer na La Pedrera, em Barcelona, entre 22 e 25 de outubro.

A catedral destacou em comunicado que a investigação de Gambús evidencia a importância de reconhecer que, “na Catedral de Maiorca, pela primeira vez, Gaudí teve de trabalhar sob critérios litúrgicos, e não histórico-artísticos”.

Isto contrasta com outras obras em que trabalhou “com total liberdade”, como é o exemplo da Sagrada Família e da Colónia Güell.

Além disso, Gambús defendeu uma revisão cronológica da intervenção de Gaudí na catedral, que vá para além da sua saída, ocorrida em 1915.

Salientou ainda que os elementos fundamentais da intervenção do arquiteto catalão na catedral são, de forma permanente, “o espaço e a luz”.

O responsável pelo Arquivo Capitular de Maiorca, Rafel Morro, apresentará no Congresso um trabalho intitulado “Documentação do Arquivo Capitular de Maiorca sobre a intervenção de Antoni Gaudí na catedral”, em colaboração com a técnica Malena Ribes.

Morro explicou que a catalogação de documentos sobre esta reforma, provenientes tanto do acervo próprio como da Confraria de São Pedro e São Bernardo, permite estudar os colaboradores de Gaudí, como os escultores Llorenç Matamala, Vicenç Vilarubias e Joan Beltran.

“Este trabalho permite-nos valorizar o ofício dos arquivistas e dar um contributo para a historiografia da intervenção de Gaudí na catedral”, destacou Morro.

Já o documentalista da catedral, Sebastián Escalas, falará no Congresso sobre “A reforma de Antoni Gaudí na Catedral de Maiorca (1904-1915): liturgia, espaço e música”.

Escalas analisa as repercussões acústicas do projeto de Gaudí, partindo da importância histórica da música na catedral e do facto de o bispo Pere Joan Campins, na época de Gaudí, ter incentivado precisamente esta tradição musical nas celebrações litúrgicas.

“Falta uma prova técnica e documental da intencionalidade de Gaudí”, sustentou.

Abordará ainda o dossel acústico do púlpito do Evangelho, projetado por Gaudí em 1905, executado com materiais efémeros e hoje desaparecido, sobre o qual apresentou uma maqueta elaborada pela URV a pedido da catedral.

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