O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, disse esta quinta-feira que as manobras militares “Exercícios Independência 2016”, anunciadas pelo Presidente Nicolás Maduro, vão ser exercícios “únicos pela sua natureza” e “sem precedentes”.

“É o primeiro desta natureza que fazemos no país, [não apenas] pelo seu alcance nacional (…) mas também porque se incorpora um elemento, que é um povo organizado para a defesa”, disse o ministro numa declaração oficial transmitida pela televisão estatal VTV.

Estas manobras, que decorrem em 20 e 21 de maio em todo o país, terão um “caráter integral” porque, segundo referiu Padrino, “combinam os fatores de luta armada, defesa nacional” com fatores “de luta não armada consagrada no conceito estratégico militar para a defesa integral da nação”.

O ministro, também chefe do Comando Estratégico Operacional da Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), assegurou que a Venezuela “está neste momento ameaçada”, justificando-se a necessidade de “intensificar” a preparação militar, apesar de sublinhar que este exercício “não pretende provocar qualquer alarme no país”.

O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, assegurou que a sua ordem para executar estes exercícios militares têm como objetivo a preparação para “qualquer cenário”, e perante os alegados planos de intervenção provenientes do estrangeiro.

O anúncio de Maduro ocorreu um dia após a sua decisão em decretar o estado de exceção e emergência económica que lhe concederia o “poder suficiente” para, entre outros assuntos, enfrentar um suposto golpe de Estado contra o seu Governo e supostos planos do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe para uma intervenção de “exércitos estrangeiros”.

Esta é a segunda vez que as Forças Armadas venezuelanas realizam manobras militares desde que Maduro assumiu a presidência em 2013, após exercícios similares na sequência da declaração do executivo dos Estados Unidos, que declarou a Venezuela uma “ameaça incomum e extraordinária” para a sua segurança.

O país latino-americano enfrenta uma crise política desde o início de 2014 acentuada com a vitória nas legislativas de dezembro de 2015 da oposição, que pretende a organização de um “referendo revogatório” para destituir o presidente Nicolás Maduro.

A Venezuela enfrenta graves problemas económicos, levando o Governo a declarar oficialmente no dia 16 o “estado de exceção e de emergência económica”, que aumenta os seus poderes sobre a segurança, distribuição de alimentos e energia.