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Maker Faire: o movimento “mostra e conta” regressa a Lisboa

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A Maker Faire Lisboa, que chega já a 25 e 26 de junho, atualizou a célebre frase “Show, don´t tell” para a versão perfeita no ecossistema de empreendedorismo. Aqui vai mostrar-se tudo.

É uma nova forma de estar. É um novo mindset. Desde que a Make Magazine lançou, em 2006, a primeira edição da Maker Faire, na Califórnia, para “celebrar as artes, os ofícios, a ciência e o DIY [Do-It-Yourself]”, o movimento Maker nunca mais parou e alastrou a várias cidades do mundo, com diferentes tamanhos.

As Flagships Maker Faires, em Califórnia, Detroit e Nova Iorque – esta última conhecida como a “World Maker Faire” – atraem milhares de visitantes que querem aprender a fazer “coisas”. Só para ter uma ideia, passaram por Nova Iorque, na última edição, mais de 500 makers e 55 mil participantes.

Existem também várias Mini Maker Faires organizadas anualmente por comunidades independentes, de Oslo, na Noruega, a Adelaide, na Austrália, e as Featured Maker Faires, eventos locais com maior número de participantes e destaque a nível mundial. Lisboa é, precisamente, uma Featured Maker Faire europeia.

Em 2015, passaram pelo Pavilhão do Conhecimento 15 mil visitantes em dois dias, 100 projetos de makers em exposição e a atenção da comunidade empreendedora nacional e internacional. A terceira edição, a 25 e 26 de junho, no mesmo espaço, promete muito mais em números, criatividade, tecnologias e makers.

Maker – um movimento que faz muito pela inovação

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A Maker Faire decorre no Pavilhão do Conhecimento nos dias 25 e 26 de junho / PAVILHÃO DO CONHECIMENTO

“Houve uma revolução na forma como as pessoas criam”, afirma Filipe Valpereiro, um dos curadores e responsável pela promoção da Maker Faire Lisboa, co-organizada pela Bright Pixel, a Câmara Municipal de Lisboa e o Pavilhão do Conhecimento.

O movimento Maker ou, literalmente, de fazedores de objetos, tecnologia e criatividade, começou nos anos 60, de forma espontânea, mas, nos últimos anos, o papel dos makers tornou-se mais relevante devido ao open software e open hardware, sublinha Filipe, justificando a relação intrínseca entre a presente revolução e a tecnologia.

Neste novo paradigma, emergia a necessidade de criar uma estrutura para juntar estas pessoas que gostam de criar algo de raiz num espaço comum que lhes permitisse “mostrar e contar”.

Era precisamente esse espaço que faltava em Portugal. “A comunidade de makers é muito forte em Portugal – gosta do que faz e de produzir –, mas não é fácil encontrá-los porque não têm visibilidade”, afirma o curador do evento.

O que está preparado para esta edição?

Na terceira edição, a Maker Faire Lisboa vai expor mais de 100 projetos de makers portugueses, dos 12 aos 65 anos, em áreas como o design, a tecnologia, a robótica, a impressão 3D ou a Internet das Coisas. “Esta edição vai ser fantástica”, sublinha, referindo-se ao que de melhor se faz em Portugal por esta comunidade.

Exemplo disso é a Moyupi, uma empresa que, em poucos dias, consegue produzir um brinquedo exclusivo a partir do desenho de uma criança, usando uma impressora 3D e alguns ingredientes secretos. Embora existam diferenças entre um maker e um empreendedor de uma startup – “o maker goza de maior liberdade na criação porque não tem como finalidade construir um negócio”, esclarece Filipe Valpereiro – há várias empresas portuguesas que nasceram no seio do movimento maker e que também estarão representadas.

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Por exemplo, a Bee Very Creative dedica-se ao design e manufatura de impressoras 3D. Foi, aliás, a primeira empresa a desenvolver a primeira impressora 3D totalmente fabricada em Portugal. A BITalino desenvolve kits low-cost para a educação e protótipos baseados em biossinais.

A ADDAC Systems, por sua vez, dedica-se ao design e manufatura de sintetizadores analógicos. Por último, em particular para os amantes do ciclismo, a Inovma desenvolveu uma bicicleta com um novo sistema de pedalar, mais acessível a todas as pessoas, permitindo movimentos lineares verticais, em vez dos tradicionais movimentos circulares dos patins dos pedais.

Mas este são apenas alguns dos projetos que estarão em exposição na Maker Faire Lisboa: haverá simulações saltos de queda livre em ambiente de realidade virtual, kits para as escolas poderem construir os seus próprios modelos de satélites e realizarem experiências espaciais reais e peças únicas e com design original feitas em madeira. Ao todo, serão mais de 100 projetos de makers portugueses.

Há muito mais para ver além da exposição: uma corrida de drones, 30 workshops sobre tecnologias usadas pelo movimento maker, uma sessão pública sobre o desenvolvimento de produto e fabricação digital dada pela empresa HardwareCity e o CycleHack, um evento que vai decorrer no mesmo fim de semana a nível mundial e que se associou ao evento. Trata-se de um movimento dedicado a desenhar e prototipar ideias para reduzir as barreiras ao uso da bicicleta.

Mostrar e contar em 30 workshops imersivos

Dois dias. 12 salas num “mostra e conta” contínuo. “É uma experiência totalmente imersiva”, afirma Luís Calado, Startup Lead da Microsoft, que apoia este evento com “muito entusiasmo” e irá acolher estes workshops nas suas instalações, na Expo. “Há pessoas com muitas ideias, que querem produzir coisas na área da Internet das Coisas e mostrá-las. O Maker Faire é o espaço ideal para isso acontecer”, explica Luís Calado. A Internet das Coisas é, aliás, uma das áreas em que a Microsoft mais tem apostado, no âmbito do programa Ativar Portugal Startup 2016.

“Estes workshops são uma verdadeira experiência educativa, porque os makers não só mostram o que estão a produzir, mas também mostram como o fazem”, conclui.

Democratizar a prototipagem

Além destas iniciativas, 15 FabLabs de Norte a Sul do país irão demonstrar técnicas de prototipagem e desenvolvimento de produtos. “O conceito de FabLab nasceu no MIT como forma de acelerar o processo de prototipagem”, explica Filipe Valpereiro, salientando a importância destes laboratórios de fabricação para o movimento maker e para o desenvolvimento da produção “in” Portugal. “Qualquer pessoa pode levar os seus desenhos e sair de lá com um protótipo. Isto não só permite o desenvolvimento físico como a democratização da prototipagem”, sublinha.

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FABLAB.PT

O próprio Governo já reconheceu a importância dos FabLabs para a manufatura em Portugal. O programa Startup Portugal, apresentado a 8 de junho pelo primeiro-ministro, António Costa, e pelo secretário de Estado da Indústria e ex-diretor da Startup Lisboa, João Vasconcelos, incluiu a fundação de uma Rede Nacional de FabLabs e Makers, coliderada por Bernardo Gaeiras, diretor do FabLab Lisboa, e Francisco Mendes, fundador do Hardware City.

Será um fim de semana totalmente dedicado ao “mostra e conta”, no Pavilhão do Conhecimento. Os interessados podem obter um bilhete gratuito no site da Maker Faire Lisboa, mediante registo prévio, e prepararem-se para aprender a fazer com alguns dos makers portugueses mais inovadores e criativos do momento.

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