O MI5 denunciou esta quarta-feira que uma organização chinesa financiou uma centena de pesquisas em universidades do Reino Unido em nome do serviço de segurança estatal de Pequim. A agência de espionagem britânica descreve uma “ameaça” à segurança nacional.

Está em causa o financiamento de projetos britânicos pelo China General Technology Research Institute (CGTRI). A organização é também conhecida como China Academy of General Technology (CAGT). Segundo o MI5, tem “ligações muito fortes” ao Ministério de Segurança Estatal de Pequim (MSS) — o serviço de informações civis de Pequim.

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“O MI5 identificou que o principal propósito do CGTRI é financiar investigações académicas que melhorem diretamente a capacidade técnica do MSS para espionagem“, disse o MI5, citado pelo jornal The Guardian.

“Académicos do Reino Unido contribuíram para projetos financiados pelo CGTRI em temas como Inteligência Artificial, cibersegurança, sistemas de comunicação secretos e esteganografia [a prática de esconder informação em mensagens e objetos]. Essa atividade apoia a espionagem do MSS, que representa uma ameaça à segurança nacional do Reino Unido”, sublinha. É um alerta sem precedentes, descreve a agência internacional Reuters.

A agência refere que as instituições do Reino Unido são “fortemente aconselhadas a rever imediatamente” colaborações em curso ou planeadas com o CGTRI. Por outro lado, sublinha a importância de em futuros projetos se identificar com clareza a origem do financiamento quando em colaboração com as instituições chinesas. O objetivo é assegurar que o CGTRI não está envolvido.

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O MI5 avisou ainda que a continuação da colaboração com a organização pode conduzir a processos judiciais, tendo em conta o Ato de Segurança Nacional de 2023.

O secretário de Segurança britânico revelou que escreveu para todos os líderes universitários do Reino Unido para garantir que os seus funcionários cessassem a relação com a organização chinesa.

“Este alerta expõe as tentativas dos serviços secretos chineses para beneficiar secretamente da experiência e da pesquisa dos nossos académicos, minando a nossa segurança nacional e a dos nossos aliados”, sublinhou Dan Jarvis num comunicado. O secretário acrescentou que, apesar de as parcerias internacionais serem essenciais, o governo tomará “ações robustas” para se defender contra ameaças.