Universidade Católica

Economia vai crescer 0,9%, diz a Católica. É metade do que o governo prevê

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PIB não deverá crescer mais de 0,9%, metade dos 1,8% que constam no Programa de Estabilidade entregue em Bruxelas em abril. Católica diz que equilíbrio das contas públicas "deixou de ser prioridade".

Paulo Spranger

A economia portuguesa não deverá crescer mais de 0,9% em 2016, metade dos 1,8% que constam no Programa de Estabilidade entregue em Bruxelas em abril. A previsão é da Universidade Católica, que diz que o equilíbrio das contas públicas deixou de ser “uma prioridade de política económica para o Governo“.

Na mais recente edição do boletim económico trimestral do Núcleo de Estudos sobre a Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), a economia portuguesa terá crescido apenas 0,1% face ao trimestre anterior e 0,7% na comparação homóloga — é uma “economia praticamente estagnada desde o segundo semestre de 2015”, diz o NECEP.

Os riscos para a economia são agora predominantemente descendentes, destacando-se uma forte preocupação com a evolução do investimento que voltou a recuar no início do ano, sugerindo que o processo de recuperação da economia portuguesa sofreu uma interrupção.

Neste contexto, a previsão para o crescimento de 2016 passou para 0,9% (era 1,3%). Trata-se, portanto, de uma “clara desaceleração relativamente a 2015 (que já tinha ficado aquém das expectativas)”. Para 2017, a projeção central do crescimento é de 1,1%, também uma revisão em baixa face à previsão anterior (de 0,6 pontos percentuais), “tendo em conta os sinais de adiamento no investimento, as perspetivas mais baixas de crescimento na zona euro (1,2%) e as necessidades adicionais de ajustamento orçamental nos próximos dois anos.

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Os principais riscos da economia portuguesa continuam a ser de natureza financeira, quer os relativos à capitalização do setor bancários, quer ao processo de consolidação das finanças públicas, que deixou de ser uma prioridade de política económica para o Governo.

O NECEP acredita o défice irá ficar acima de 3%, “o que irá provavelmente obrigar a que os próximos dois orçamentos tenham medidas significativas de consolidação orçamental para se cumprirem os objetivos do Programa de Estabilidade 2016-2020 apresentado em abril”.

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