Em todos os automóveis, mesmo nos mais desportivos, é sempre necessário visitar prolongadamente o túnel de vento, local dispendioso e complexo, mas onde, em última instância, se tira a prova dos nove em matéria de aerodinâmica.

É claro que hoje todos os veículos – incluindo furgões comerciais, camiões e até comboios – são desenhados com recurso ao CAD (Computer Aided Design, ou desenho assistido por computador), o que não só torna a operação mais rápida, como permite ainda calcular com um enorme rigor qual vai ser o comportamento do modelo em questões tão diversas como a aerodinâmica. Mas, ainda assim, é sempre necessário passar posteriormente por um túnel de vento para confirmar os valores obtidos teoricamente. E, para esse efeito, nada melhor do que o túnel de vento número 8 do centro de ensaios da Ford, no Michigan, que permite trabalhar com velocidades de até 200 km/h e aceita veículos 1:1, ou seja, à escala real.

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Uma vez instalado na plataforma central de testes, o Ford GT começa por ver determinado o coeficiente aerodinâmico, bem como o apoio que gera (“down force”, força vertical provocada pela deslocação do ar que cola o carro ao solo, maximizando a aderência dos pneus a alta velocidade) tanto na frente como na traseira. Depois, e porque o GT está equipado com uma imensa asa posterior que se eleva a velocidades mais elevadas e tem a possibilidade de alterar o ângulo de incidência para incrementar ainda mais o apoio sobre a traseira, favorecendo a tracção das rodas motrizes, é necessário estudar a forma como essa variação do perfil altera o rendimento do modelo. É que “down force” é bom, mas não à custa de uma quebra exagerada de velocidade máxima.

Igualmente importante é determinar o comportamento do fluxo de ar que passa sobre e sob o desportivo, bem como encontrar uma forma de anular, ou pelo menos diminuir, a turbulência em torno das entradas e saídas de ar para refrigeração, essencial quando se visa reduzir o ruído e aumentar a eficiência. É para este ponto em particular que se recorre ao emissor de fumo, que permite visualizar o fluxo de ar produzido pelo túnel.

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Já em adiantada fase de testes, o Ford GT de série deverá chegar ao mercado antes do final de 2016, isto porque a versão de competição já se estreou – e de que maneira – em competição, nas 24 Horas de Le Mans. O superdesportivo da Ford, com apenas dois lugares, está equipado com um motor 3.5 V6 biturbo e deverá fornecer ligeiramente mais de 600 cv e um binário acima da fasquia dos 700 Nm. O novo Ford GT vem substituir o modelo com a mesma denominação que surgiu em 2004, com motor V8 sobrealimentado de 5,4 litros e 558 cv.