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É já presença habitual na gastronomia chinesa, mas dá a volta a muitos estômagos. Mas, afinal, quem tem razão são mesmo os chineses. Já se sabia que as baratas têm um grande valor nutricional, mas um recente estudo vai mais longe. Uma equipa de investigadores indianos, franceses e canadianos afirma que o leite de barata é o composto com o melhor valor nutricional alguma vez visto, conta o El Español.

Mas atenção, não é qualquer barata que dá leite. A única espécie que produz aquele que pode vir a ser o novo superalimento é a Diploptera punctata. Este inseto é originário da Ásia e é a única barata que não põe ovos, mas dá à luz. É, por isso, a única que produz leite materno.

O alimento é (muito) rico em proteínas, tem açúcares e gordura e todos os aminoácidos essenciais.

A equipa de investigação conseguiu mapear a sequência genética dos cristais lácteos e planeia usar leveduras para produzir leite de barata em massa. O principal desafio, admitem, é fazer com que o produto seja aceite pela sociedade. Note-se que o leite pode ser consumido de forma indireta, através, por exemplo, de suplementos, ou substituindo o tradicional leite de vaca na produção de outros produtos.

Para além dos óbvios benefícios para a saúde, a produção (e consumo) de leite de barata contribui também para a sustentabilidade do planeta. Com a população em constante crescimento, torna-se cada vez mais difícil arranjar recursos naturais (terra) onde produzir alimentos. Há uma sobre-exploração dos recursos naturais que está a tornar-se insustentável. A Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas já alertou para o benefício e necessidade de incluir insetos na alimentação humana. A transição para uma alimentação com base em insetos permite também diminuir drasticamente a quantidade de metano e óxido nitroso que é libertado para a atmosfera com a criação de gado.

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