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A pista de aterragem do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, esteve encerrada entre as 20h00 e as 20h34 (horas de Lisboa) de sábado, depois de ter sido detetada a presença de quatro homens de nacionalidade argelina naquela zona de acesso restrito. Segundo fonte da Unidade Nacional Contra Terrorismo da Polícia Judiciária afirmou ao Observador, “para já não há ligação nenhuma a organizações terroristas” e tratava-se antes de “pessoas que procuraram uma oportunidade de chegar à Europa”.

“Os quatro foram detidos pela PSP, porque fugiram para a pista e cometeram outros crimes, como o de perturbação relativamente aos transportes aéreos”, afirmou ainda a mesma fonte, referindo que “podem ser julgados em sumário e serem imediatamente extraditados”. Segundo o Público, os homens detidos já tinham tentado entrar ilegalmente na Europa.

Os quatro homens em questão, que tinham chegado a Lisboa vindos de um voo proveniente de Argel, capital da Argélia, e que estava em escala para um novo voo em direção a Cabo Verde. De acordo com informações recolhidas pelo Observador junto de fonte da PSP, o grupo de quatro escapou por uma porta de emergência numa sala de espera do aeroporto, ainda antes da zona de controlo de passaportes. Foi no momento em que forçaram a porta de emergência que as autoridades no local se aperceberam da ocorrência.

Os quatro cidadãos de nacionalidade argelina foram detidos “em flagrante”, de acordo com aquela fonte da PJ. Durante a detenção, que foi feita “no perímetro da pista de aterragem”, um deles sofreu ferimentos ligeiros, pelos quais teve de receber tratamento no Hospital de Santa Maria. Os restantes três ficaram detidos nas instalações do Aeroporto Humberto Delgado e mais tarde transferidos para as células do Comando de Lisboa.

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Dois grupos já tentaram imigração ilegal desta forma

Segundo fonte próxima do processo afirmou ao Observador, esta não é a primeira vez que cidadãos de fora da UE tentam chegar a Portugal desta maneira — ou seja, durante uma escala em Lisboa de um voo entre dois países extracomunitários. Antes desta tentativa, já dois grupos tentaram fazer o mesmo “recentemente”, diz aquela fonte, que fala de algo “que se começa a fazer com regularidade”. Ainda assim, Portugal é ainda uma rota pouco comum para quem usa este estratagema para imigrar ilegalmente para a Europa. O Aeroporto de Barajas, em Madrid, é uma opção mais comum.

Além das quatro detenções por parte da PSP, “o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) reteve mais um passageiro do mesmo voo, a quem foi recusada entrada e que está agora sob custódia do SEF, sendo que regressará ao país de origem”, informou o porta-voz da PSP ao Observador, já na manhã deste domingo. Alguns meios de comunicação falam num sexto detido, mas a mesma fonte da PSP disse não ter “qualquer indicação de um sexto suspeito”.

A situação durou 34 minutos, durante os quais foi interrompida a circulação na pista. Como consequência, foram desviados cinco voos para o Aeroporto de Faro e outros quatro para o Aeroporto Francisco de Sá Carneiro, no Porto. Só depois das 20h34 é que o funcionamento da pista de aterragem foi retomado, registando-se vários atrasos entre os voos de partida e de chegada.

A informação que dava conta da existência de um objeto estranho na pista de aterragem não se confirmou.