A Amazon vai começar a testar a semana de trabalho de 30 horas num grupo reduzido de trabalhadores. A medida implica uma redução de 25% do salário, noticia o The Washington Post.

Por enquanto, o projeto-piloto abrange apenas uma equipa de 12 pessoas que vão trabalhar de segunda a quinta em regime de jornada laboral contínua, das 10 às 14 horas, com a realização das restantes 14 horas semanais em horário flexível. Os trabalhadores que vão integrar o programa experimental serão selecionados apenas nas dependências da Amazon dos Estados Unidos e podem regressar às 40 horas a qualquer momento, se assim o desejarem. A empresa não tem planos para expandir as 30 horas de trabalho a trabalhadores fora dos EUA.

“Esta iniciativa foi criada a pensar na força de trabalho diversificada da Amazon e partindo do princípio que o modelo de horário a tempo inteiro pode não ser o melhor modelo para todos os trabalhadores”, lê-se no resumo de um encontro da empresa onde foi discutida a relação de equilíbrio entre trabalho e a vida pessoal. Foi aí que a empresa anunciou a proposta de novas possibilidades de horário de trabalho com o objetivo de captar talento.

De 80 a 30 horas semanais?

O programa piloto que propõe a possibilidade de alguns trabalhadores realizarem horário a tempo parcial parece ser uma forma da empresa responder às críticas de que tem sido alvo acerca de práticas laborais pouco amigas dos trabalhadores.

No ano passado, um artigo no The New Times dava conta de que muitos ex-trabalhadores acusavam a empresa de venda eletrónica de exigir demasiado dos seus empregados. Uma dessas trabalhadoras, Molly Jay, que trabalhou na primeira equipa do Kindle (o livro eletrónico, um dos produtos da marca Amazon) referiu que era incitada a “dar o seu melhor”, muitas vezes trabalhando 80 horas por semana.

“Quando não estamos disponíveis para dar o nosso melhor, 80 horas por semana, eles consideram isso como uma fraqueza”, disse Molly Jay ao jornal nova-iorquino.

Jeff Bezos, fundador da Amazon e presidente da companhia tem sido acusado por muitos de ser um gestor implacável no que aos recursos humanos diz respeito e que baseia as suas decisões de gestão sobretudo em números. “A companhia aplica de forma contínua um algoritmo de performance aos seus empregados”, revelou Amy Michaels, que pertenceu à equipa de marketing do Kindle.

John Rossman, um ex-executivo da Amazon chegou mesmo a publicar um livro The Amazon Way (“À maneira da Amazon”, em tradução literal) onde explica os 14 princípios de gestão de Bezos (que também é proprietário do jornal The Washington Post), muitos deles dedicados aos clientes e exigentes para com os trabalhadores.

Por sua vez, Jay Carney, também executivo sénior da empresa, publicou na plataforma Medium um longo texto de resposta, onde defende que o artigo não reflete as práticas laborais da Amazon. Segundo argumenta, o texto do The New York Times passa uma imagem que não representa a companhia. Carney põe em causa os relatos dos trabalhadores que contaram detalhes acerca de como era trabalhar na empresa, em especial uma frase dita por Bo Olson (que trabalhou durante dois anos no marketing de livros): “Vi praticamente todas as pessoas com quem trabalhei a chorar nas suas secretárias”.