António Domingues foi convidado para assumir a administração da Caixa Geral de Depósitos em março. O convite foi feito pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, mas o seu nome terá saído de uma lista de potenciais candidatos e sido uma escolha “fora da Caixa” feita pelo próprio primeiro-ministro. Quem conhece o seu trabalho, descreve-o como sendo muito bem preparado para o cargo, tendo a experiência e o conhecimento necessários para completar a tarefa difícil de reestruturar e, ao mesmo o tempo, relançar comercialmente o banco do Estado.

O gestor apresenta um sólido currículo na banca comercial portuguesa. Fontes da banca contactadas pelo Observador destacam um passado bancário muito forte e um “perfil à prova de bala” em termos de influências externas, sobretudo políticas. É uma escolha consensual, ainda que nem todos usem palavras tão entusiásticas como o seu antigo presidente executivo, Fernando Ulrich:

“Considero o Dr. António Domingues a pessoa mais qualificada e mais bem preparada que conheço para assumir a responsabilidade de presidente da Caixa Geral de Depósitos (…) Não tenho nenhuma dúvida que é a pessoa mais bem colocada que conheço para assumir esta grande responsabilidade. Acontece por mérito dele. (…) Tenho de felicitar o senhor ministro das Finanças e o senhor primeiro-ministro por terem feito esta escolha. Não conheço melhor”.

Até o seu nome começar a sair nos jornais associado à Caixa, o vice-presidente do BPI era quase um ilustre desconhecido para a maioria dos portugueses. A sua nomeação representa uma rotura com as soluções tradicionais para a administração do banco do Estado. Será a primeira vez que um governo vai contratar um gestor profissional em funções num banco privado concorrente para liderar a Caixa — Luís Mira Amaral também transitou do BPI para o banco do Estado, mas só foi nomeado presidente da comissão executiva mais tarde. Não era apenas um gestor, tinha um passado político relevante. E a nova administração distingue-se, também, do passado por não ter antigos políticos, pelo menos em cargos executivos.

Ao lado do banqueiro sem papas na língua — Fernando Ulrich — António Domingues ainda parece mais discreto e reservado. Quem o conhece descreve-o como pouco expansivo. Na vida privada é um praticante de desporto, já fez ciclismo, corre com regularidade e é um grande apreciador de vela. É um fã de música clássica e de jazz e um grande apreciador do escritor argentino Jorge Luís Borges. É casado e tem uma filha.

Para um homem que não gosta de estar debaixo das luzes, os últimos meses foram um ensaio para o que se segue. O novo presidente da Caixa terá de aguentar os holofotes que vão ser especialmente fortes enquanto durar a comissão parlamentar de inquérito à Caixa, cujas audições devem ser retomadas em setembro. António Domingues deverá ser um dos primeiros a serem chamados.

20299943_770x433_acf_cropped

Fernando Ulrich e, à direita, António Domingues. O presidente do BPI não poupou elogios à escolha para liderar a Caixa Geral de Depósitos.

O gestor chegou esta quarta-feira à presidência do maior banco português, no ano em que fará 60 anos. Uma parte muito substancial da carreira foi feita no BPI, onde esteve 27 anos, a maioria dos quais na administração para a qual entrou em 1995. Domingues sai com a reforma do banco ao cumprir os critérios previstos para ter a pensão. A atribuição é automática, não precisa de a pedir, assegura uma das fontes ouvidas pelo Observador.

Ainda assim, uma acumulação de pensão e salário, combinada com a alteração da lei do gestor público para acomodar uma política salarial na Caixa “mais alinhada” com o setor privado, dificilmente passará sem algumas críticas.

Mais financeiro do que comercial, o homem para reestruturar a Caixa

Licenciado em economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), o currículo de António Domingues inclui uma passagem num dos governos da Aliança Democrática (AD), onde esteve como economista no gabinete de estudos e planeamento do Ministério da Indústria e Energia, no início dos anos 1980.

Esteve também no IAPMEI, no Banco de Portugal e no Instituto Emissor de Macau. No final da década de 1980, António Domingues trabalhou no Banco Português do Atlântico, em Paris, o que reforçou a sua experiência internacional, que já incluía uma passagem por Macau. Antes de chegar à administração do BPI, passou pelas direções financeira e internacional, que foram sempre as suas áreas centrais, a par com os sistemas informáticos e a área operacional.

Já no BPI, passou pela administração de várias empresas como não executivo. Teve, aliás, de renunciar ao cargo que desempenhava na operadora de telecomunicações NOS para se dedicar em exclusivo à nova missão na Caixa.

Mas se o seu background na banca é indiscutível, Domingues é, também, descrito como sendo, acima de tudo, um financeiro. Ele é mais um CFO (chief financial officer), palavrão inglês para administrador financeiro, do que o CEO (presidente executivo). O que não quer dizer que não se revele no cargo que vai desempenhar. Pode-se transformar num bom CEO, refere um ex-gestor do setor financeiro.

Comparações com o amigo José de Matos

Uma menor experiência do lado comercial da banca e uma atuação “extremamente prudente” enquanto gestor bancário inspiram, até, comparações com o antecessor na CGD. Ainda não estava oficialmente confirmada a escolha de António Domingues e já o, até agora, presidente da Caixa dizia, num encontro com jornalistas, que era uma “uma ótima escolha, do ponto de vista pessoal e profissional”. São, aliás, amigos próximos, desde os tempos do Banco de Portugal.

jose-de-matos04_770x433_acf_cropped

José de Matos e António Domingues são amigos próximos desde os tempos do Banco de Portugal

Apesar de um passado profissional distinto, António Domingues e José de Matos não são assim tão diferentes, refere um banqueiro contactado pelo Observador, fazendo o paralelo com o discreto gestor que liderou a Caixa nos últimos anos. Enquanto Domingues domina sobretudo a área financeira, José de Matos é um grande conhecedor da regulação, ou não tivesse origem no Banco de Portugal. Os dois terão menos sensibilidade para a dinâmica comercial da banca de retalho, mas no caso de Domingues isso pode ser equilibrado com a equipa de administradores executivos. Por outro lado, e ainda que não tenha desempenhado funções de chefia na área comercial, o BPI é um banco comercial e toda a comissão executiva acompanhava as principais decisões.

Se o novo CEO poderá não ter, à partida, o perfil mais adequado para promover a dinamização comercial da Caixa, que é um dos grandes desafios da nova gestão, António Domingues é visto no setor como tendo todas as qualidades necessárias para levar a bom porto a reestruturação do banco público.

No caderno de encargos do novo presidente estão, também, o redimensionamento da operação, a evolução para a banca digital e o impacto inevitável que terá na redução do número de colaboradores. E sem despedimentos, condição que o próprio gestor colocou ao governo. “Vai fazer a reestruturação e isso é muito importante”. E uma parte relevante da missão já está bem encaminhada com a “luz verde” dada pela Comissão Europeia ao plano de capital, de reestruturação e de negócios da Caixa.

O que estava em causa? O futuro da Caixa e da própria banca

Enquanto responsável máximo pela área financeira nos últimos 20 anos, António Domingues participou em todas as grandes decisões que envolveram o BPI — desde as negociações falhadas para uma fusão com o Banco Espírito Santo e com o Banco Comercial Português, passando pela oferta pública de aquisição falhada do BCP sobre o BPI e pela resposta à crise financeira e ao programa de assistência a Portugal, a que se soma a saída de um acionista histórico, o Itaú, que por sua vez resultou num reforço do La Caixa e da posição de Isabel dos Santos no banco, e que culminou num conflito acionista.

Domingues acompanhou ainda, de muito perto, o desenvolvimento do Banco de Fomento Angola (BFA), da qual foi vice-presidente. E chegou a ser apontado como presidente da holding com participações africanas que nasceria do destaque destes ativos proposto, em 2015, pela gestão do BPI para resolver o problema de exposição a Angola. António Domingues era, ainda, um dos nomes na calha para suceder a Fernando Ulrich. O presidente do BPI confidenciou, aliás, que foi ele a atender o telefone do gabinete do ministro das Finanças para o seu número dois e que adivinhou logo aquilo que Mário Centeno pretendia.

A um ano de adquirir o direito à reforma pelo BPI, terá sido algum espírito de missão que o levou a aceitar o desafio de dar a volta ao banco do Estado, que também é o maior banco português e praticamente o único dos grandes que ainda é português, porque é público. Isto numa altura em que o BPI vive, também, uma encruzilhada com a oferta pública de aquisição (OPA) lançada pelo CaixaBank, a redefinição da presença no mercado angolano e uma divergência acionista.

Depois dos desaires recentes da banca portuguesa e da transferência de soberania no setor financeiro imposto pela União Bancária, a Caixa corria o risco de ser a próxima vítima de alguma cegueira na aplicação de regras e de uma certa inabilidade ou falta de eficácia no plano político. E o futuro presidente não ficou à espera de tomar posse, um processo que veio a revelar-se longo e turbulento, para começar a trabalhar.

O presidente “informal e não nomeado”

Foi o próprio António Domingues a avisar por telefone José de Matos que tinha recebido um convite para o substituir, segundo testemunhou o agora ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos. Desde que aceitou o convite, no início de abril, que o então vice-presidente do BPI — Domingues só renunciou ao cargo no final de maio, mas Ulrich assegura que deixou logo de participar ativamente na vida do banco — se desdobrou em contactos e diligências. Para preparar uma proposta de recapitalização sólida e um plano de negócios credível e ambicioso para a Caixa, falou com Bruxelas e com Frankfurt — onde era tratado como o presidente informal não nomeado (informal non designated CEO).

Domingues trabalhou com dados públicos — sem acesso a informação reservada, embora tenha trocado impressões com José de Matos e tenha contado com apoio de consultores. Preparou um plano abrangente e mais exigente do ponto de vista financeiro que ambicionava mais do que cumprir os requisitos regulatórios. Chegou a Bruxelas com o trabalho de casa feito, bem preparado e com argumentos que terão convencido os técnicos céticos.

O número gordo da recapitalização, entre os quatro mil e os cinco mil milhões de euros, causou estranheza e reações políticas fortes, sobretudo do lado da direita. Os antigos responsáveis do governo PSD-CDS, que já conheciam as necessidades de capital da Caixa, denunciaram um “excesso” no valor e avançaram com uma comissão parlamentar de inquérito ao passado, mas com o objetivo assumido de pressionar o presente.

European Commissioner for Competition Margrethe Vestager

Margrethe Vestager, comissária europeia da Concorrência

Por entre o ruído mediático e a subida de volume do discurso político, a Comissão Europeia acabou por aprovar um plano que muitos julgavam quase impossível — e que permite um reforço de capitais superior a cinco mil milhões de euros, ainda que o Estado coloque apenas 2.700 milhões de euros em “dinheiro fresco”. O reforço de capitais da Caixa escapou à sentença de ajuda de Estado, que condenou o Banif, naquela que era outra das condições de António Domingues. Uma operação de recapitalização que fosse considerada ajuda de Estado obrigaria à aplicação das novas regras de resolução e recapitalização, o que levaria a perdas para credores e consequências potencialmente devastadoras para o sistema financeiro português.

O acordo anunciado na semana passada foi um sucesso de Portugal, é certo, mas ao qual não terá sido alheio o desconforto sentido em Bruxelas perante as acusações proferidas entre portas a propósito do desfecho do Banif no final do ano passado. O sim à recapitalização da Caixa foi, acima de tudo, uma decisão política, enquanto a resolução do Banif foi uma decisão dos técnicos, tomada num período de vazio político.

Os trabalhos de António Domingues

Haverá sempre um preço que ainda não é totalmente conhecido. Por um lado, Bruxelas impôs um envolvimento de capitais privados de mil milhões de euros, dos quais metade tem de ser colocada ao mesmo tempo que o dinheiro público entra na Caixa. Ficou, contudo, salvaguardada a principal exigência dos partidos à esquerda do PS: apesar do investimento privado em dívida, não haverá privados na Caixa. Uma condição na qual o próprio António Domingues se revê, pelo menos para já.

Por outro lado, as autoridades portuguesas comprometeram-se a executar um plano de reestruturação que levará à saída de até 2.500 trabalhadores — cerca de 28% do total do número de colaboradores — fecho de dezenas de balcões e venda ou encerramento de atividades internacionais. No essencial, trata-se de aplicar com algum a atraso a mesma receita seguida pelos grandes bancos privados portugueses, sobretudo no BCP, uma instituição comparável à Caixa em dimensão e imparidades (perdas) em operações de crédito.

Os contornos deste plano já foram apresentados em Bruxelas, mas ainda não são conhecidos em Portugal. O ministro das Finanças, Mário Centeno, remeteu a informação concreta para o novo conselho de administração da Caixa.

A reestruturação, ainda que com recurso a saídas voluntárias e pré-reformas, será uma das primeiras preocupações do novo presidente e um potencial explosivo na relação do governo com os parceiros da “geringonça”. O Bloco até aceita o princípio, desde que não haja despedimentos. Já o PCP, nem quer ouvir falar em redução de trabalhadores no banco do Estado, ainda que sejam por mútuo acordo.

Outro desafio para a nova gestão passa pelo relançamento comercial da Caixa Geral de Depósitos. Se a perda de depósitos não foi significativa em tempos de incerteza e polémica, o banco esteve paralisado no que toca a decisões estratégicas. A administração anterior esteve em funções durante vários meses, sabendo que iria ser substituída, e o então presidente, José de Matos, queixou-se, em carta ao governo, da falta de “orientações” do acionista.

ARQUITECTURA, BANCO, EDIFICIOS, Europhoto,

O relançamento comercial vai depender, em muito, da capacidade para mobilizar os quadros e conseguir “entrar” na cultura da empresa da Caixa, que olha com desconfiança para a composição da nova equipa de gestão.

O novo presidente terá de enfrentar um mal-estar, na sequência do que alguns classificam como “um pecado original” na constituição da equipa de gestão. Mesmo defendendo que deve ser o CEO a escolher a sua equipa, o que aconteceu no caso de António Domingues, há quem aponte alguma falta de bom senso na opção de levar consigo muitas pessoas do BPI e de excluir quadros da Caixa na nova administração — Henrique Menezes Cabral é oriundo da Caixa Brasil, mas também foi quadro do BPI.

A “OPA” dos quadros vindos do BPI caiu mal na Caixa

Quase todos os nomes escolhidos para a equipa executiva passaram ou estavam no banco do qual Domingues foi vice-presidente. E vários dos nomes apontados para administradores não executivos e titulares de outros órgãos tiveram também ligações ao BPI ou ao seu fundador, Artur Santos Silva.

Por um lado, é natural, realça um antigo colaborador, porque “levou as pessoas com quem trabalhou e em quem confia mais e que sabe que estão à altura do desafio”.

O movimento, já comparado a uma “OPA (oferta pública de aquisição) de pessoas de um banco mais pequeno, só podia cair mal na Caixa. E caiu, de acordo com várias fontes contactadas pelo Observador. Para além da colagem ao BPI, o incómodo resulta, também, da leitura de que não foram reconhecidas qualidades e mérito a quadros da Caixa para participarem na administração. Será um problema, talvez dos mais prementes, que António Domingues tem de de resolver.

O novo líder executivo precisa de vencer a resistência das equipas da Caixa e conquistar os colaboradores para a sua estratégia, até porque vai precisar deles para imprimir uma nova dinâmica comercial no banco do Estado.

Outra fragilidade potencial apontada à equipa passa pelo risco de alguma falta de independência dos administradores executivos face ao CEO, sobretudo nos casos em que trabalharam como subordinados de António Domingues durante muitos anos no BPI. Também por isso, o novo presidente executivo terá de mostrar, nas decisões do dia-a-dia, que nem sempre aquilo que parece é. E, aqui, as qualidades pessoais e o estilo de gestão podem fazer toda a diferença.

Determinação, perseverança e firmeza, são adjetivos usados para descrever António Domingues. Firme no exercício de liderança, é frontal com os colaboradores, mas reconhece, também, o valor de ouvir respostas frontais do outro lado. Ouve os subordinados e os que não concordam com ele, desde que estes fundamentem bem os seus argumentos. Não vale a pena começar uma discussão com António Domingues se não se estiver bem preparado, avisa uma pessoa que trabalhou com ele. E, no final, quando tem de decidir, decide.

O novo CEO entra já com o problema da recapitalização bem encaminhado — ainda não existe um acordo definitivo — e leva soluções para a Caixa. As pessoas terão razões para se sentirem mais tranquilas, sublinha um antigo colaborador.

“Mãos à obra”

Numa mensagem aos trabalhadores da Caixa, o novo CEO pede a mobilização de todos para ultrapassar os problemas do banco.

“Com o apoio e colaboração de todos nós iremos, estou certo, ultrapassar os difíceis problemas que têm afetado nos últimos anos está grande instituição e, em termos gerais, o sistema financeiro português.”

Mas nesta mensagem, citada pelo Jornal de Negócios, António Domingues não esconde que espera mais dos colaboradores da Caixa e despede-se com um apelativo “mãos à obra”.

(…) Vamos mobilizarmo-nos para cumprir os objetivos de desempenho, melhorar a receita, controlar os custos, gerir adequadamente os riscos e utilizar com maior rigor o capital público que nos está confiado”.

O chumbo de alguns nomes indicados para administradores não executivos é, para já, o maior desaire na estratégia desenhada para a Caixa. A escolha da equipa foi uma das condições colocadas pelo gestor para aceitar o cargo. E foi António Domingues quem indicou as personalidades e um modelo de governo inspirado na sua experiência no BPI. O governo aceitou, mas o Banco Central Europeu (BCE) não deixou passar oito dos nomes propostos, invocando regras bancárias portuguesas que limitam a acumulação de cargos.

A escolha de personalidades relevantes da vida pública portuguesa para administradores não executivos, com cargos de destaque no setor não financeiro — como Leonor Beleza (Fundação Champalimaud), Rui Vilar (ex-presidente da Caixa, Galp e Gulbenkian), Fernando Guedes (Sogrape), Pedro Norton (ex-Impresa), Carlos Tavares (Grupo PSA), Ângelo Paupério (Sonae), Paulo Pereira da Silva (Renova), Rui Ferreira (Unicer) — visava reforçar a independência da gestão em relação ao poder político.

O governo ainda quis mudar a lei bancária, mas deixou cair a ideia, perante a oposição da esquerda e do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. E ainda estão por definir os nomes que faltam para completar o conselho de administração. Também não está garantida a acumulação dos cargos de presidente executivo e de chairman por António Domingues que o BCE autorizou a título excecional, durante seis meses. Para já, não foi nomeado chairman — António Domingues é presidente executivo e Rui Vilar é vice-presidente não executivo.

Por outro lado, algumas das escolhas para executivos sofreram o embaraço público de terem o BCE a mandá-los estudar, ou seja, fazer formação específica na área da banca na escola de negócios Insead.

A ausência de mulheres, ao contrário daquilo que está fixado nos objetivos aprovados pelo acionista — no tempo do anterior governo –, é outra nota dissonante na composição dos órgãos sociais. O BCE quer que a Caixa cumpra as regras aprovadas pelo anterior executivo e que definem a presença de um terço de mulheres nos órgãos de administração até 2018, ano antes de terminar o mandato para o qual foi nomeado António Domingues.

A derradeira missão da nova gestão será contudo a de recolocar a Caixa no caminho dos lucros, depois de cinco anos e meio de prejuízos. Foi aliás com essa nota que o primeiro-ministro António Costa quis assinalar o primeiro dia de António Domingues na CGD.

“Desejo um bom trabalho e que retribuam devidamente o investimento que o acionista, todos os contribuintes, faz na Caixa Geral de Depósitos”.