A vida de Jacques Cousteau chegou ao cinema. O ator francês Lambert Wilson encarna a figura do comandante entre os 37 e os 70 anos. A exploração dos mares e as suas invenções são o foco do filme. Mas a existência de Cousteau não se resumiu à exploração marítima. Foi um homem que cultivou paixões e ódios e é esse lado que “L’Odyssée” também destaca.

Em duas horas de filme, o realizador Jérôme Salle mostra como se desenvolveram os momentos mais icónicos da vida de Cousteau. Segundo o jornal inglês The Guardian, o filme, que teve um orçamento de 20 milhões de euros, demorou cinco meses a ser rodado. O investimento incluiu filmagens no ambiente gelado da Antártida e momentos de natação entre os tubarões das Bahamas.

“L’Odyssée” estreia esta semana nas salas de cinema francesas, mas em Portugal só vamos poder ver o filme em junho do próximo ano.

[Veja aqui o trailer do filme]

Jacques Cousteau morreu com 87 anos, a 25 de junho de 1997, em Paris. As opiniões sobre a vida deste homem estiveram sempre longe de ser consensuais. Eram muitos os que atacavam o comandante afirmando que este não respeitava o ambiente e que apenas lhe interessava a exploração.

Na vida privada, Cousteau era também controverso. Foi casado com Simone, interpretada em “L’Odyssée” por Audrey Tautou, que morreu de cancro em 1990 e de quem teve dois filhos. No ano seguinte, o explorador decidiu casar com a sua amante Francine Triplet, com quem também tinha dois filhos. Após a morte de Cousteau, as batalhas judiciais pelo controlo da herança colocaram em risco a continuidade do trabalho do francês.

Contudo, para o público ficou a memória de um homem franzino de gorro vermelho que, a bordo do seu navio Calypso, mostrou segredos das profundezas do mar e transformou-se numa estrela da televisão. A mistura entre a produção televisiva e a investigação científica resultou na fórmula que deu sucesso a Cousteau.

O francês foi aluno da escola naval e seguia a carreira de aviador mas após um acidente de carro que quase o matou foi forçado a mudar os planos e a fazer carreira na marinha. Quando um amigo lhe ofereceu uns para usar debaixo de água enquanto fazia a reabilitação no Mediterrâneo, Cousteau deu o primeiro passo para uma vida dedicada à exploração sub-aquática.

Depois da Segunda Grande Guerra, Jacques Cousteau, o seu amigo Philippe Tailliez e uma equipa de mergulhadores e académicos fizeram uma expedição no Mediterrâneo para encontrar o navio romano Mahdia. Começavam assim as suas aventuras submarinas. A fama veio em 1953 quando escreveu o livro Mundo do Silêncio. Em 1966 começou com os seus documentários para televisão e filmes. Em 1973, o comandante cria a Sociedade Cousteau a fim de alertar para a fragilidade dos ecossistemas submarinos.

A tragédia surge na vida de Jacques Cousteau quando o seu filho Philippe morre num acidente com o hidroavião Calypso no Rio Tejo, na zona de Alverca, Vila Franca de Xira.

No filmeL’Odyssée”, o realizador apostou nas filmagens de exterior para poder captar o lado mais aventureiro de Cousteau. Em declarações à France TV, Jerôme Salle afirmou que “foi um pouco arriscado”: “Nunca ninguém tinha rodado em alguns dos locais onde rodámos… Para filmar na Antártida tem de haver uma razão. Porque é como filmar na lua.”

[Recorde aqui algumas imagens de Jacques Cousteau]

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