A informação foi avançada hoje à agência Lusa pelo presidente do Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, Chi Jianxin, à margem da Conferência dos Empresários e dos Quadros da Área Financeira inserida no programa da reunião deste ano do Fórum Macau (Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre os Países de Língua Portuguesa), que termina hoje.

“Tomámos a decisão, por isso, agora precisamos de discutir com o Governo de Macau como organizar, trabalhar, as regulações para os impostos, por exemplo, ou que tipo de estrutura vai funcionar aqui”, afirmou Chi Jianxin, indicando esperar que a transferência da sede para Macau possa acontecer ainda este ano.

“Espero que sim, vamos tentar o nosso melhor”, disse, explicando que a mudança para Macau do fundo de mil milhões pretende fazer com que seja “mais fácil” aos potenciais interessados “entenderem como podem operar o fundo” pensado para apoiar as empresas do interior da China e de Macau no investimento nos países de língua portuguesa e atrair o de lusófonas na China.

Ativado no final de junho de 2013, o fundo aprovou o financiamento de apenas dois projetos: um proveniente da Angola e um chinês para Moçambique.

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Um projeto agrícola em Moçambique, da empresa chinesa Wanbao, foi o primeiro a obter financiamento do fundo, criado oficialmente em junho de 2013 por iniciativa conjunta do Banco de Desenvolvimento da China e do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização de Macau.

Avaliado em aproximadamente 200 milhões de dólares, o projeto, na região do baixo Limpopo, perto da cidade de Xai-Xai, obteve “luz verde” do fundo que contribuiu com apenas 10 milhões de dólares.

O segundo projeto, proveniente de Angola, está relacionado com o fornecimento de equipamentos para a distribuição de eletricidade.

Chi Jianxin revelou que, no total, ou seja, nos dois únicos projetos aprovados, o fundo concedeu um financiamento de 16,5 milhões de dólares, valor que, reconheceu, “não é muito grande”.

“Este fundo é orientado para o mercado. É totalmente operado comercialmente, por isso, precisamos de avaliar o valor do projeto. Algumas empresas discutiram connosco o investimento, mas não conseguiram facultar os planos básicos de negócios ou estudos de viabilidade, [mas] nós precisamos de analisar estes documentos e de avaliar o projeto, pelo que essas empresas não estavam muito familiarizadas relativamente à operacionalidade do fundo”, sustentou Chi Jianxin.

“Foi por isso que decidimos mudar a sede do fundo para Macau para que possa ser mais fácil discutir e contactar com os potenciais” parceiros, complementou, apontando que o Fundo vai ter um representante permanente em Macau quando for transferido para a Região Administrativa Especial.

Segundo explicou, o Fundo discutiu com mais de uma centena de empresas a forma como poderiam cooperar, mas, na fase seguinte, de revisão dos documentos e debate dos pormenores, ficaram apenas duas dezenas de projetos em cima da mesa.

Atualmente, “a procura pelo fundo é de aproximadamente 800 milhões de dólares”, disse, referindo-se ao valor desses projetos que versam sobre áreas como infraestruturas, energia ou indústria.