“Não há uma nova posição, nem se pode dizer que haja um novo PCP”, diz o eurodeputado João Ferreira em entrevista ao Observador. O dirigente comunista, que pertence ao Comité Central, afirma que esta “não é uma ação inédita do PCP” e insiste que, no passado, o partido já tinha tomado posições semelhantes, mas o PS é que preferiu entendimentos com a direita:

Por diversos momentos, no passado, com pontos de contacto com o presente, o PCP propôs soluções ao PS para derrotar os partidos de direita. O que há de novo é mais a resposta do PS do que a posição do PCP”.

O eurodeputado argumenta que, “para muitos que andaram a dizer durante anos que o PCP não contava e que era um partido de protesto, que estava fora de poder determinar qualquer solução de Governo é difícil engolir de um momento para o outro tudo que se andou a dizer muitos anos. Embora não correspondesse à verdade, foi repetido até à exaustão”.

Para João Ferreira, a participação na “geringonça” não muda os pressupostos básicos e estratégicos do PCP: “Não perdemos de vista esses objetivos supremos pelo quais o PCP se bate: a construção de uma sociedade nova, liberta de todas as formas de exploração, socialismo e comunismo. Isso não rejeita avanços. Mesmo numa sociedade injusta pode haver avanços, que comportem progressos para o que defendemos para os trabalhadores e o povo”, diz o eurodeputado.

O caminho a estreitar-se: “Repor rendimentos não chega”

Jerónimo de Sousa já disse que “o caminho está a estreitar-se”. João Ferreira repete o discurso de que é preciso sair dos constrangimentos do euro: “Mais do que a posição do PCP , é a realidade que está a demonstrar que a submissão do país às regras económica se monetárias condiciona fortemente a possibilidade de o país adotar as medidas necessárias. Para responder a problemas estruturais, precisamos de resposta estruturais“, afirma o eurodeputado.

O caminho está mais estreito e é cada vez mais evidente que seguir esse caminho de repor e rendimentos por si só não chega. Para o caminho voltar a alargar, temos de remover estes constrangimentos internos e externos. A moeda está desajustada das necessidades do país. No plano interno, há uma indisponibilidade do PS para enfrentar alguns interesses poderosos que controlam setores estratégicos da economia”.

O dirigente comunista dá o exemplo “no plano da fiscalidade“, em que o PS devia aceitar “ir mais além, aliviando pequena e médias empresas, famílias e trabalhadores, chamando maior contributo de grande capital”.