“A moda agora é ter os restaurantes dentro dos mercados. Eu quis fazer o contrário: ter um mercado dentro do restaurante.” A frase é de Tanka Sapkota — ou Giovanni, quando lhe apetece — e resume bem a ideia por trás do Il Mercato, espaço que abriu secretamente há umas semanas, no Pátio Bagatela. Sim, secretamente — logo à entrada, uma tela pede aos clientes que não tirem fotografias até à data de inauguração: esta quinta-feira, 26 de janeiro.

“Já há algum tempo que queria abrir uma mercearia italiana”, confessa Tanka, que nasceu no Nepal, estudou na Alemanha, mas que se tornou homem de massas e pizzas entre Itália e Portugal, onde está há duas décadas. Primeiro no Come Prima, entre Santos e Alcântara, depois no Forno d’Oro, bem perto deste seu novo projeto. E se queria, não fez a coisa por menos. Em vez de abrir uma simples mercearia com os produtos italianos que tão bem conhece, decidiu ir mais além: acrescentou-lhe uma charcutaria, uma garrafeira, uma zona de massas frescas e, finalmente — o cacau no topo do tiramisù —, um restaurante.

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Tanka Sapkota nasceu no Nepal mas percebe muito de comida italiana. Tanto que até arranjou um pseudónimo à altura: Giovanni. (foto: © Tiago Pais / Observador)

O chefe tem o discurso estudado e as intenções definidas: “No Come Prima democratizei a trufa [branca] d’Alba. Agora quero fazer o mesmo com outros produtos italianos.” Um deles é a mozzarella da Barlotti, que chega de Salerno por via aérea duas vezes por semana. E vem bem acompanhada. O Culatello di Zibello um reputadíssimo enchido originário de Zibello, nos arredores de Parma, faz a mesma viagem sempre que é necessário repor a montra. Assim como o Parmigiano-Reggiano Vacche Rosse e outros produtos da mesma laia. Ora, perante esta torrente de importações semanais é normal que o cliente pense: isto vai custar caro. Não necessariamente, promete Tanka: “Durante pelo menos seis meses vou vender tudo a preço de custo mais o transporte. Não quero ganhar dinheiro, apenas que as pessoas experimentem e fiquem a conhecer.” Quem quiser, pode consumir no local, num dos lugares ao balcão indicados para o efeito. Acompanhar a patuscada — ou o equivalente italiano do termo — com uma das mais de 50 referências da garrafeira também é possível: paga-se o vinho, claro, e uma taxa de rolha de 6€.

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A mozzarella de búfala Barlotti, de Salerno, é importada diretamente, via avião e chega duas vezes por semana ao restaurante. (foto: © Tiago Pais / Observador)

Junto à mercearia, onde se alinham azeites, arrozes, polentas, conservas, biscoitos e derivados, prende a atenção a vitrine que congrega a secção de massas, o chamado, em italiano, pastificio. Todos os dias, os clientes podem escolher entre 20 tipos de massa fresca, preparada com ovos biológicos da quinta Casal dos Planetas, de Castanheira do Ribatejo. Seja para levar — sempre com a indicação do tempo de cozedura ideal — ou para comer no local, com um molho/acompanhamento à escolha. Na fila da frente surgem nove sugestões diárias, cujas combinações predefinidas ajudam os menos criativos a decidir: no dia desta reportagem havia, por exemplo, tagliatelle com cogumelos porcini, ravioli com abóbora e trufa preta ou bucatini com ragu. “São todas feitas ao momento, em frente ao cliente”, diz Tanka.

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Na vitrina das massas há sempre nove que se destacam na primeira fila. São as sugestões do dia. (foto: © Tiago Pais / Observador)

Mas quem se deslocar ao Il Mercato para almoçar ou jantar não tem, necessariamente, de se ficar pelos hidratos de carbono. Tanto ao almoço (11,95€) como ao jantar (19,95€) há menus diários em versão degustação de pequenas doses onde a ideia, segundo Tanka, é “ligar a cozinha ao mercado”. Ou seja, o conteúdo vai mudando a cada dia, embora sempre sob a mesma designação: 1861, o ano de unificação da Itália. Também há uma ementa permanente, embora bastante limitada.

O espaço é amplo, com mais de 60 lugares, inclui uma grande mesa comunitária ao fundo do restaurante e, claro, uma esplanada, tirando partido do eixo central do Páteo Bagatela. Destaque ainda, na sala, para as ilustrações de Pedro Zamith que por momentos desviam o olhar dos cabazes, literais e hipotéticos, de produtos italianos espalhados por toda a sala. Mas só por momentos. Até porque a vontade de Tanka é que “os clientes sintam que estão em Itália do princípio ao fim”. E não é difícil.

Nome: Il Mercato
Morada: Pátio Bagatela, Rua da Artilharia 1, 51 (Rato), Lisboa
Telefone: 21 1930941
Horário: De terça a domingo, das 12h às 23h.
Preço Médio: 12 a 15€ ao almoço; 20 a 25€ ao jantar
Reservas: Aceitam