Todos nós já sofremos por amor e sabemos o quanto custa. Mas porque é que um “coração partido” dói tanto? Os cientistas explicam que um desgosto de amor é um fenómeno universal semelhante à síndrome de abstinência causada pela droga, conta o ABC.

O professor de psicologia da Universidade Autónoma de Madrid, Manuel de Juan Espinosa, diz que o desgosto amoroso e a síndrome de abstinência são “tremendamente parecidos” e não é o único. São vários os psicólogos que relacionam o enamoramento com a síndrome de abstinência, explicando que os dois partilham uma série de comportamentos (compulsivos e obsessivos): perda de controlo, dependência emocional, distorção da realidade, súbitas mudanças de humor e ansiedade.

O amor e o desamor são duas faces da mesma moeda. Primeiro sobem os níveis de dopamina e oxitocina no cérebro e fazem sentir apego e prazer. Depois provoca a falta de apego e sintomas de ansiedade e mal-estar” explica o investigador do Instituto de Neurociências de Alicante, Juan Lerna.

Por sua vez, os investigadores Boelen, Reijntjes e Fisher dizem que o desgosto amoroso “representa uma das experiências mais traumáticas, angustiantes e desconcertantes que uma pessoa pode experimentar” e que até pode “doer” mais do que a morte de um ente querido.

As fases de um desgosto de amor

Tudo começa com a incredulidade, protesto e reforço do apego. “O cérebro aterroriza-se e reage como se estivesse frente a uma ameaça. O sistema imunitário enfraquece e sobem os níveis de stress”, o que pode gerar dor física, descreve Espinosa. Durante esta fase é comum a pessoa envolver-se com ex-namorados. Em casos mais extremos, o desgosto pode levar à depressão e a comportamentos suicidas e homicidas.

Mas porque parece que não podemos viver sem a outra pessoa? É que as hormonas influenciam as emoções com o cérebro a libertar cortisol (a hormona do stress) e os níveis de serotonina a diminuir, que reduzem a capacidade de se ser racional.

A segunda fase é mais calma, com a aceitação do desgosto. É uma mistura de resignação, desesperança e pessimismo. A superação é, essencialmente, uma “questão de tempo” e os antidepressivos não ajudam, uma vez que inibem certas hormonas que permitem o interesse por outras pessoas.

A última etapa é a reorganização. “Pouco a pouco o cérebro volta a recuperar a normalidade. É verdade que a dor pode provocar um ‘mordisco’ no estômago de vez em quando, mas vai ser cada vez menos frequente” diz Espinosa. A recuperação pode levar meses ou até anos, dependendo da pessoa, mas há formas de acelerá-la como mudar de rotina, estar com os amigos, visitar novos lugares, dançar, ouvir música, comer e fazer exercício físico.