O presidente da Uber, Jeff Jones, demitiu-se da tecnológica na sequência das várias polémicas que têm surgido nos últimos meses sobre a cultura da empresa, incluindo as denúncias de sexismo e assédio sexual, avança o Recode — um dos sites de referência da área tecnológica. A decisão do número dois do executivo liderado pelo CEO e fundador Travis Kalanick acontece pouco depois deste anunciar que ia procurar um novo responsável para as operações da empresa.

Jeff Jones estava na Uber há menos de um ano e tinha entrado para substituir Ryan Graves, ex-CEO da tecnológica, função ocupada atualmente por Travis Kalanick. De acordo com o que as fontes próximas da empresa avançaram ao Recode, para Jones, a situação da empresa era mais problemática do que o que este esperava. Em fevereiro, vários motoristas da Uber deixaram comentários na página de Facebook de Jeff Jones com comentários desagradáveis.

O ano começou da pior maneira para Travis Kalanick, com a ex-engenheira informática Susan J. Fowler a revelar no seu blogue pessoal que tinha sido alvo de assédio sexual e discriminação de género dentro dos escritório da empresa. O CEO contratou o ex-procurador-geral norte-americano Eric Holder para conduzir uma investigação independente ao que se passou e Ariana Huffington, fundadora do Huffington Post e agora um dos braços direito de Kalanick, veio a público assumir “os erros” da Uber.

O The New York Times revelou, dias depois, relatos de ex-colaboradores da Uber que falam numa cultura organizacional que, além de sexista e discriminatória, é “desenfreada” e “obsessiva”. O The Guardian falava inclusive em “disfunção hiper-competitiva” e Keala Lusk, outra ex-engenheira, revelou, num post que escreveu no Medium, que “durante o tempo que passou na empresa, assistiu a lutas maléficas por poder”. Mais tarde, a Bloomberg duvulgou um vídeo onde discute com um motorista que se está a queixar das condições em que trabalha.