Mais de 900 mil unidades vendidas em sete anos de carreira é um património, decididamente, a preservar e potenciar. E mais ainda se em causa estiver um modelo oriundo de um construtor dito generalista, a concorrer num segmento em que as marcas conhecidas como premium assumem cada dia maior protagonismo.

É neste contexto que surge o novo familiar médio e modelo de topo da Opel, sujeito a uma tal (r)evolução que, do anterior, pouco mais mantém do que o nome. Ou parte dele, já que, a partir de agora, passa a ser conhecido como Insignia Grand Sport, assim reforçando a profunda transformação de que foi alvo (a carrinha mantém a designação Insignia Sports Tourer, e chegará ao mercado um pouco mais tarde).

Primeira nota: a anterior versão de três volumes e quatro portas deixa de existir, sendo agora proposto um cinco portas com ares de coupé, de linhas modernas e dinâmicas, que em nada evocam o seu antecessor. Antes inspiraram-se nas do protótipo Monza Coupé, o que ajuda a perceber a sua notável eficácia aerodinâmica, traduzida num Cx de apenas 0,26.

Deixando a cada um a sua própria apreciação do resultado final em termos estéticos, refira-se, apenas, que o apelo estilístico do Insignia Grand Sport acaba por depender, em boa parte, quer do tamanho, quer do desenho das jantes que tem montadas. Muito ganhando quando equipado com as dotadas de acabamento diamantado e braços mais largos.

Maior e mais leve

Menos discutível é, seguramente, o trabalho realizado no habitáculo. Desde logo porque, apesar de as dimensões exteriores se terem mantido praticamente inalteradas, à excepção da altura, a distância entre eixos aumentou 92 mm, o que só poderia reflectir-se em óbvios benefícios para quem viaja atrás.

Aí, e não obstante um acesso um pouco menos amplo, devido ao perfil mais baixo do tejadilho (um dos elementos preponderantes para o tal estilo coupé), o espaço para pernas é por demais generoso, e só o lugar central será menos acolhedor, devido à presença do túnel central, por onde passam os elementos da transmissão das versões de quatro rodas motrizes. Nada de muito grave, tendo em conta o escasso número de ocasiões em que a maioria dos clientes deste segmento se faz acompanhar de mais do que dois ocupantes nos bancos traseiros. A isto há que juntar uma bagageira com um excelente acesso e uma capacidade que varia entre 490 e 1450 litros (por via do rebatimento do banco posterior na proporção 40/20/40).

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Mas há mais. A posição de condução, 30 mm mais baixa, é muito boa, não o sendo menos os bancos dianteiros certificados pela agência alemã de especialistas em ergonomia AGR, que até podem dispor de regulação eléctrica, aquecimento, ventilação e função de massagem. Este é, ainda, o primeiro Insignia a poder contar com bancos laterais traseiros aquecidos.

Por seu turno, o posto de comando foi bastante simplificado, já que o ecrã táctil do evoluído sistema de infoentretenimento permitiu suprimir boa parte dos botões que pontificavam no antigo Insignia. Na consola central restam apenas os de atalho para as principais funções do sistema de som, os de controlo da climatização e os mais directamente relacionados com a condução, colocados frente à alavanca de comando da caixa de velocidades (modos de condução, auxiliar de manutenção na faixa de rodagem, sistema start/stop, sensores de estacionamento e ESP).

Fundamental para o bem-estar a bordo é, também, a eficaz insonorização e a elevada qualidade da maioria dos materiais utilizados, assim como dos respectivos acabamentos e montagem. Para os apreciadores de uma maior luminosidade interior, o tejadilho panorâmico, que se estende até aos lugares traseiros, com nada menos do que 1400×860 mm, é, seguramente, uma opção a ter em conta.

Mas o melhor de tudo é que, no novo Insignia, são tanto ou mais importantes as mudanças visíveis como as que se não vêem. Por exemplo, a estrutura, assente na plataforma Epsilon 2, profundamente evoluída relativamente ao modelo anterior, passou a contar com uma muito maior percentagem de materiais leves, permitindo ao modelo, consoante as versões, perder até 175 kg (200 kg na carrinha), 60 kg dos quais só na carroçaria – para um peso médio da ordem dos 1.600 kg. Estava assim dada a resposta a um dos maiores reparos feitos ao antigo Insignia, e garantido o incremento da eficiência energética e da eficácia dinâmica.

Na oferta de motores, todos turbocomprimidos e com injecção directa de combustível, também há importantes novidades a registar. O acesso à gama é feito através de um novo 1.5 a gasolina, disponível nas versões de 140 cv e 165 cv. Seguem-se o 1.6 Diesel, com 110 cv ou 136 cv, e o 2.0 Diesel de 170 cv. No topo está o 2.0 a gasolina de 260 cv, o único, por ora, a poder ser combinado com o sistema de tracção integral de nova concepção e com a caixa automática de oito velocidades.

Ao volante agrada

No primeiro contacto dinâmico com o novo Insignia Grand Sport, e não tendo sido ainda possível conduzir nenhuma das versões que maior procura terão em Portugal (obviamente, as 1.6 Diesel), a escolha só poderia recair na 2.0 Diesel, aquela que, logo a seguir, será a preferida dos consumidores lusos. Com 400 Nm de binário máximo, constante entre as 1.750 rpm e as 2.500 rpm, este motor dá mostras de um apreciável fulgor nos baixos e, principalmente, nos médios regimes, casando muito bem com uma caixa de seis velocidades suave e precisa para garantir uma apreciável facilidade de condução, sem que as prestações sejam, de todo, de desprezar: 226 km/h e 8,7 segundos nos 0-100 km/h. O consumo combinado anunciado pela Opel é de 5,2 l/100 km; na prática, e sem excessivas preocupações com o pedal da direita, é possível obter, com facilidade, médias na casa dos 6,5 l/100 km.

A afinação do chassi visou, mais do que a desportividade, o agrado de condução, a confiança ao volante e a comodidade – valores, sem dúvida, caros a quem busca um veículo de vocação familiar/executiva. E a verdade é que, seja em que circunstância for, e mais ainda quando equipado com o melhorado sistema de amortecimento activo FlexRide, o Insignia Grand Sport garante um invejável conforto de marcha a todos os seus ocupantes.

E nem por isso é menos interessante de conduzir quando a disposição de quem ocupa o melhor lugar a bordo incita a ritmos mais empenhados, em especial nos traçados sinuosos. Seleccionado o modo de condução Sport (exclusivo das versões equipadas com a suspensão pilotada FlexRide), que controla a resposta do motor, dos amortecedores e da direcção, o Insignia Grand Sport surpreende pela agilidade, garantida pelo óptimo controlo dos movimentos da carroçaria, pela frente incisiva e precisa, e por uma direcção que responde com rapidez e fidelidade aos desejos do condutor.

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Os mais afoitos podem, até, optar por seleccionar o modo mais permissivo do ESP, ou mesmo por desligá-lo completamente, de forma a incutir maior emotividade à condução por via de um eixo traseiro relativamente fácil de provocar, e ainda mais de controlar, assim aumentando ligeiramente a agilidade em curva, sem nunca colocar o condutor perante situações inesperadas ou de difícil resolução.

À venda em Portugal em Julho, o novo Insignia já pode ser encomendado, e quem o fizer até lá recebe de oferta 1000€ em equipamento extra e uma garantia de cinco anos ou 75 mil quilómetros, que inclui ainda a manutenção programada e a assistência em viagem pelo mesmo período. A versão de acesso a gasolina 1.5 Turbo de 140 cv estará disponível a partir de 28.680€, os preços do 1.6 Diesel de 110 cv começam nos 30.980€ e o 2.0 Diesel custará desde 40.780€ (para já, o 2.0 Turbo de 260 cv não estará disponível entre nós, obrigando a carrinha Sports Tourer ao dispêndio extra de 1.350€).

Importante é referir que, para além de este ser o primeiro Insignia a contar com capot activo, do equipamento de série de todas as versões fazem ainda parte a câmara dianteira Opel Eye (assegura as funções de alerta de saída involuntária da faixa de rodagem com correcção automática da direcção, e de alerta de colisão com travagem autónoma de emergência e detecção de peões), o sistema de acesso e arranque sem chave Open&Start (com portão traseiro motorizado e função mãos-livres na Sports Tourer), o infoentretenimento IntelliLink (com ligações Apple CarPlay e Android Auto para smartphones) e o travão de estacionamento eléctrico.

Os amantes da tecnologia terão ainda à sua disposição os faróis integralmente por LED IntelliLux (agora com 32 segmentos, ainda mais potentes e de reposta mais célere, e com um alcance de máximos de 400 metros), a câmara panorâmica de 360°, o head-up display, o cruise control adaptativo com função de travagem de emergência, o hotspot wifi com ligação para sete dispositivos e o sistema OnStar com assistente pessoal, já apto a efectuar reservas de hotéis e a procurar lugares de estacionamento.