Em risco de desaparecimento devidos aos profundos problemas financeiros em que se encontra, a malaia Proton pode ter finalmente encontrado a sua bóia de salvação. Isto porque a holding do grupo automóvel chinês Geely anuncia ter chegado a acordo com o grupo malaio DRB-Hicom, proprietário do fabricante, para a compra da companhia. Vencendo assim na corrida, entre outros, os franceses da PSA e da Renault, além da nipónica Suzuki.

Na sequência do acordo alcançado, a Geely, que é dona da sueca Volvo, vai assumir o controlo também da Lotus e de parte significativa do capital da Proton. O negócio envolve a aquisição, ao grupo DRB-Hicom, de 49,9% do capital do fabricante malaio, por uma verba não revelada, e de 51% da emblemática marca britânica, por 115 milhões de euros (mantendo-se os restantes 49% na posse da Etika Automotive, propriedade de Syed Mokhtar, o homem por detrás também da DRB-Hicom).

O acordo baseia-se num quadro mais amplo que permitirá à Geely Holding, à Proton e à Lotus explorarem sinergias em áreas como a pesquisa e desenvolvimento, produção e presença nos diferentes mercados”, afirmou já, em comunicado, o grupo chinês.

Assumindo querer fazer da Proton uma marca mais competitiva na Malásia, e um líder no sudoeste asiático, o director financeiro da Geely, Daniel Dinghui Li, disse ainda que o plano de intenções passa por “libertar todo o potencial da Lotus Cars, projectando-a para uma nova fase de desenvolvimento, através da expansão e aceleração no desenvolvimento de novos produtos e tecnologias”.

Recorde-se que, na corrida à compra do fabricante asiático, estava não só o grupo automóvel francês liderado português Carlos Tavares, e que era inclusivamente apontado como um dos favoritos à compra da Proton, mas também a rival Aliança Renault-Nissan, assim como a japonesa Suzuki Motor Corporation.

Pouco dinheiro, fraca qualidade

A Proton, fabricante automóvel fundado em 1983 pelo antigo primeiro ministro malaio Mahathir Mohamad, vive há já algum tempo em fortes dificuldades financeiras. Mesmo depois de ter recebido, em 2016, uma ajuda governamental de 338 mil milhões de dólares (pouco mais de 301 mil milhões de euros), com a condição de colocar em marcha um plano de recuperação e encontrar um parceiro estrangeiro que pudesse ajudar à viabilização da companhia.

Com duas fábricas na Malásia, que lhe garantem uma capacidade produtiva anual de 400 mil carros, a Proton tem como principal actividade a montagem de modelos de outros fabricantes, nos quais coloca o seu logótipo, para comercialização, principalmente, no mercado interno. No entanto, e devido à queda da qualidade, a procura não tem deixado de diminuir, levando a que as linhas de montagem estejam, hoje em dia, a trabalhar muito abaixo da sua capacidade.

Ainda em 2007, a DRB-Hicom tentou encontrar parceiros que pudessem ajudar a viabilizar a Proton, mas a iniciativa foi bloqueada pelo governo da Malásia, que se recusou a entregar o controlo da companhia a entidades estrangeiras.

O impulso chinês

No entanto, com a entrada agora da Geely no capital do fabricante, a Proton poderá mesmo vir a ganhar nova vida, nomeadamente através da recuperação das vendas e da presença que em tempos já deteve no estrangeiro. Com fontes familiares ligadas ao processo a manifestarem ainda, em declarações à Reuters, a confiança de que, não só com a injecção de dinheiro, mas também disponibilizando a sua tecnologia, o grupo automóvel chinês poderá dar um forte contributo para que a marca malaia volte a marcar presença, de forma mais expressiva, nos mercados de volante à direita, como o Reino Unido, a Austrália, a Índia ou a própria Malásia.

O grupo chinês revelou ainda que, embora as partes já tenham chegado a acordo, a concretização do negócio e a assinatura final do contrato estão ainda dependentes da aprovação do regulador. Mas ambas as partes afirmam acreditar que tudo deverá ficar concluído até Julho.