Quando um jogador consegue brilhar numa grande competição europeia ou mundial da formação, entre Sub-17 e Sub-20, passa automaticamente para os holofotes da ribalta do futebol. Até podem ter sido apenas as duas ou três semanas mais conseguidas de uma carreira, mas nunca mais ninguém se esquece. E Haris Seferovic é exemplo paradigmático disso mesmo: esteja num trajeto melhor ou pior, não passa ao lado de muitos clubes europeus.

Entre 24 de outubro e 15 de novembro de 2009, o suíço teve esse momento em que puxou para si todos os holofotes: quando nada o fazia antever, os helvéticos conseguiram ganhar o Mundial Sub-17 na Nigéria, derrotando na final a equipa da casa… com um golo de Seferovic. A par de Borja (Espanha), Sani Emmanuel (Nigéria) e Sebastián Gallegos (Uruguai), o avançado foi o melhor marcador da prova: bisou frente ao Japão, marcou à Alemanha, fez um dos golos na goleada das meias-finais à Colômbia, decidiu a final. Numa prova com nomes como Neymar, Isco, Morata, Joel Campbell ou Götze, o dianteiro foi o grande destaque.

Nascido numa família originária de Sanski Most, na Bósnia, que emigrou para a Suíça no final dos anos 80, Seferovic começou a jogar no clube da terra onde nasceu, o Sursee, antes de passar para o Lucerna. Continuava a dar nas vistas e foi com naturalidade que completou a formação no Grasshopper, quando já era internacional Sub-17 e Sub-19 pelos helvéticos. No início de 2010, depois do tal Mundial Sub-17 em território africano, dá o primeiro grande salto da carreira, assinando pelos italianos da Fiorentina.

No entanto, entre os empréstimos a Neuchatel, Lecce e Novara, nunca vingou em Florença. Saiu para Espanha pelo mesmo valor pelo qual tinha sido comprado (2 milhões de euros), quando já era internacional A pela Suíça (ainda ponderou jogar pela Bósnia) mas esteve apenas um ano na Real Sociedad antes de rumar à Alemanha, onde representou o Eintracht Frankfurt nas últimas três épocas. Foi companheiro do holandês Luc Castaignos, avançado do Sporting (que parece estar na porta de saída de Alvalade).

Entre essas passagens de Itália para Espanha e de Espanha para a Alemanha, Jorge Jesus nunca lhe perdeu o rasto. Nunca foi a principal prioridade para o agora treinador do Sporting, na altura do Benfica, mas era um daqueles elementos referenciados que, em quase todos os mercados, lá era falado como possível reforço. Ainda no último defeso, no Verão de 2016, o jornal O Jogo levantou o interesse dos leões no dianteiro do Eintracht Frankfurt, antes de ficar confirmada a contratação do antigo companheiro Castaignos.

Em 2016/17, marcou apenas três golos em 25 jogos na Bundesliga, depois dos quatro apontados em 31 partidas em 2015/16. A primeira temporada no Eintracht foi a mais proveitosa, com 10 golos em 32 encontros. Certo é que, logo em janeiro, o Benfica assegurou o suíço a custo zero (está em final de contrato). Agora, depois da final da Taça da Alemanha (derrota por 2-1 com o Borussia Dortmund) e do particular dos helvéticos com a Bielorrússia, o jogador veio a Lisboa fazer exames e fechar o vínculo com as águias. Eis o primeiro reforço do Benfica para 2017/18, que esteve no Mundial de 2014 e no Europeu de 2016.

No final do dia, o Benfica anunciou oficialmente a contratação de Seferovic para as próximas cinco temporadas. “Quero ganhar títulos com esta camisola. Gosto de marcar golos, sou avançado mas se puder fazer assistências faço. O que mais quero é ganhar os jogos. Sei que é um grande clube, com o maior número de adeptos no mundo. É um bom clube para mim e estou orgulhoso de estar aqui”, comentou nas primeiras declarações à BTV.