Ricardo Salgado

Ricardo Salgado sobre o fim do BES. “Se o objetivo era destruir-me, não era preciso tanto”

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Ricardo Salgado volta a culpar o Banco de Portugal e Passos Coelho pelo colapso do BES. E diz, em entrevista ao Dinheiro Vivo, que qualquer outro governo teria evitado o colapso do banco.

O antigo presidente e acionista do Banco Espírito Santo (BES) continua a defender que a resolução do banco que liderou durante décadas era evitável e volta a atirar as culpas para o Banco de Portugal e para o Governo liderado por Passos Coelho.

“Sei que hoje, passados três anos (da resolução do BES), já não sou o único a pensar assim”, diz Ricardo Salgado numa entrevista ao Dinheiro Vivo onde acusa o supervisor presidido por Carlos Costa de ter provocado o colapso do BES, ao impor a constituição de “dois mil milhões de euros provisões ilegais”, e os lesados do BES, a quem assegura, sempre tencionou pagar, não fosse a resolução.

Já no Novo Banco, o mesmo regulador determinou a reversão de cerca de mil milhões de euros dessa provisões, as mesmas que rapidamente se compreendeu que eram absolutamente desproporcionadas e que serviram para matar o BES, sem garantir o reembolso dos clientes para o que, alegadamente, tinham sido constituídas.”

Na entrevista, publicada ainda pelos jornais Diário de Notícias e Jornal de Notícias, Ricardo Salgado garante que não se sente ameaçado pelos lesados do BES, clientes do banco que perderam as aplicações feitas em papel comercial de empresas do Grupo Espírito Santo e para os quais está a ser ultimada uma solução por iniciativa do Governo.

Salgado questiona ainda o argumento principal usado para impor a resolução do BES, a inexistência de fundos disponíveis para fazer um aumento de capital em 48 horas. “É falso” e diz que o Banco de Portugal recusou duas hipóteses de recapitalização, alegadamente apresentadas no mês de julho de 2014.

“Se o objetivo era destruir-me, não era preciso tanto”

Para o ex-presidente do banco, a causa do fim foi a resolução do Banco de Portugal, associada à “decisão inusitada de se acabar com o nome Espírito Santo que apagou das fachadas dos prédios uma marca com mais de 140 anos. (…) Foi também o BdP que, para justificar uma resolução injustificável, que imediatamente declarou culpados os gestores do banco e iniciou um processo de intoxicação da opinião pública. É preciso lembrar que já nem estava no BES no momento da resolução. Se o objetivo era destruir-me, não era preciso tanto”.

O antigo presidente do BES está a preparar a publicação das suas memórias ao mesmo tempo que enfrenta a condenação em vários processos instaurados pelo Banco de Portugal, que contesta no Tribunal da Concorrência de Santarém, e uma investigação judicial da qual ainda não se conhece a acusação. Nesta entrevista, a primeira feita presencialmente após a queda do BES, reafirma as posições assumidas na primeira intervenção pública após a resolução.

Salgado não poupa a atuação do Executivo de Passos Coelho no processo que conduziu ao fim do banco e diz que “qualquer outro Governo com o mínimo de responsabilidade teria evitado a resolução de um banco com a dimensão do BES”.

Quando questionado diretamente sobre qual seria a atuação de um Governo do PS, Salgado, repete: qualquer outro Governo teria evitado, acrescentando que não é político apesar de o quererem “colar a uma certa política do último Governo PS”. O Governo de Sócrates? O antigo banqueiro diz que não pode ir por aí porque o caso Operação Marquês ainda aguarda informações.

Sobre a venda do Novo Banco, instituição que sucedeu ao BES. Ricardo Salgado é contra a venda ao fundo norte-americano Lone Star.

“No meu entender, a melhor solução para o Novo Banco era permanecer português, (…) quer fosse adquirido pela Caixa [Geral de Depósitos], quer [fosse] pelo Millenium BCP. Mas também pergunto: e o Banco de Fomento, para que é que serve? O Banco de Fomento podia perfeitamente ser recapitalizado pelo Estado para reforçar o Novo Banco”, afirmou Ricardo Salgado.

Na entrevista, Salgado admite ainda ter feito um mau julgamento do empresário angolano Álvaro Sobrinho e do empresário luso-angolano Hélder Bataglia, considerando que “os dois tiveram um papel terrível” na “destruição do BES em Angola”, e acusou os dois homens de terem feito uma “gestão ruinosa” do BESA.

Após o colapso do BES português, o BESA foi intervencionado pelo Estado angolano, a 04 de agosto de 2014.

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