Quando Brittany Elmslie, as irmãs Bronte e Cate Campbell e Emma McKeon deram a medalha de ouro na estafeta de 4×100 metros livres nos Jogos Olímpicos de 2016 à Austrália, mal poderiam imaginar que estavam também, em paralelo, a alcançar um feito quase tão difícil como bater o recorde mundial da distância (3.30,65): derrotaram Katie Ledecky. Sabe porquê? Porque nas 17 provas que realizou até ao momento em Jogos e Mundiais, a americana somou 16 ouros… e a tal prata. Parece mesmo impossível derrotar esta versão feminina de Michael Phelps.

Ledecky foi o grande destaque no primeiro dia dos Mundiais de natação (começaram há mais de uma semana mas só agora arrancou a natação pura). Apesar de ter apenas 20 anos, a nadadora nascida em Washington assume o papel de líder da Team USA perante as ausências de Michael Phelps (voltou a retirar-se mas andou nos últimos tempos a nadar contra… tubarões), Ryan Lochte (que foi pai e também parou) e Missy Franklin (que se voltou a lesionar). E não faz a coisa por menos: quer fazer 6,3km durante uma semana para ganhar seis medalhas de ouro.

Para já, ganhou dois. Apenas em 900 metros. Expliquemos: venceu a prova dos 400 metros livres (foi a melhor nas eliminatórias e na final), batendo duas vezes o recorde dos Campeonatos Mundiais (3.59,06 e 3.58,34), e conseguiu também a medalha de ouro na estafeta de 4×100 metros livres, com Mallory Comerford, Kelsi Worrell e Simone Manuel (3.31,72), depois de, neste caso, ter sido poupada nas qualificações.

Em paralelo, e além da nova melhor marca dos Campeonatos, Ledecky conseguiu um outro feito neste primeiro dia de ação: igualou as 11 medalhas de ouro de Missy Franklin em Campeonatos do Mundo, marca que irá certamente ser ultrapassada até pela ausência da companheira de seleção em Budapeste. A americana soma ainda cinco ouros e uma prata em Jogos Olímpicos (uma medalha em 2012, cinco em 2016) e mais cinco lugares nos Jogos Pan-Pacíficos em que participou apenas no ano de 2014.

Nos outros resultados do dia, a estafeta masculina de 4×100 metros dos EUA (com Caeleb Remel Dressel, Townley Haas, Blake Pieroni e Nathan Adrian) conseguiu bater o Brasil por 28 centésimas na final, ao passo que Sun Yang conquistou pela terceira vez consecutiva o ouro nos 400 metros livres (tinha ganho em Barcelona e em Kazan), vencendo com relativa facilidade o australiano Mack Horton e o italiano Gabriele Detti e igualando o feito de Ian Thorpe. De referir que, entre 2009 e 2017, o chinês de 25 anos já ganhou 13 medalhas em Campeonatos Mundiais (oito de ouro, duas de prata de três de bronze).

Ainda no primeiro dia, nota para a queda de dois recordes em qualificações para a final: a sueca Sarah Sjöström tornou-se a primeira nadadora de sempre a baixar a fasquia dos 52 segundos nos 100 metros livres (fez 51,71 no primeiro percurso da estafeta de 4×100 metros livres) e o britânico Adam Peaty bateu o recorde dos Campeonatos nos 100 metros bruços (57,75).

Entre portugueses, nota para a estreia de Diana Durães, que ganhou a sua série nos 400 metros livres com 4.10,07 e ficou com o 13.º melhor tempo das eliminatórias, ao passo que Victoria Kaminskaya ficou na oitava posição na sua eliminatória dos 200 metros estilos, terminando com a 24.ª melhor marca.

Diana Durães e Victoria Kaminskaya falham finais dos Mundiais de natação