O Presidente dos Estados Unidos poderá rescindir uma lei aprovada por Barack Obama, antigo Presidente, que protege os “Sonhadores”, nome pelo qual são conhecidos os imigrantes que chegaram aos Estados Unidos ilegalmente, quando ainda eram crianças — trazidos pelos pais ou fazendo a viagem sozinhos, por exemplo, a partir do México ou de Cuba. A informação foi avançada pela agência de notícias Reuters esta quinta-feira e cita um oficial próximo da administração Trump. Ao todo, cerca de 800 mil já foram protegidas por esta medida e, desde 2012, podem trabalhar legalmente nos Estados Unidos, segundo a página de notícias Vox.

Durante a campanha, Donald Trump sempre se manifestou contra as políticas de Obama para a imigração e uma das suas principais promessas foi precisamente a revisão ou anulamento de grande parte desta legislação. Em 1996, uma mudança da lei tornou quase impossível para um imigrante aceder à cidadania se tivessem entrado no país ilegalmente. Milhares de crianças estavam a crescer num país onde dificilmente poderiam ter uma vida normal. Começaram a ser conhecidas como “Dreamers”, depois de uma lei de 2001 ter estabelecido um caminho para a regularização do seu estatuto. Mas a lei foi ficando retida no Congresso e Barack Obama, em 2012, criou o Deferred Action for Childhood Arrivals Program, ou DACA, que oferece aos “Dreamers” uma proteção temporária à deportação e permite que essas pessoas possam trabalhar legalmente no país e renovar a essa proteção a cada dois anos.

Mas esta decisão, esperada para sexta-feira, não é consensual, nem dentro dos próprio Partido Republicano. Uma das fontes contactadas pela Reuters descreveu a situação como uma “guerra” entre diferentes fações. Alguns congressistas, que acreditam que o programa DACA não é constitucional, querem impor uma emenda à lei, disseram também oficiais contactos pela agência.