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“Um grande número” de empregos na banca vai para os robôs, diz o presidente do Deutsche Bank

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Presidente do Deutsche Bank não tem dúvidas, nem paninhos quentes. Um "grande número" de postos de trabalho na banca vai ser perdido para a automação -- "vai acontecer".

ARNE DEDERT/EPA

John Cryan, o presidente do Deutsche Bank não tem dúvidas, nem paninhos quentes. Um “grande número” de postos de trabalho na banca vai ser perdido para a automação, um resultado natural do facto de hoje termos, diz o responsável, “muitas pessoas que passam o dia a funcionar como ábacos”. A crescente automação até poderá levar a melhores empregos, mas não há como contornar o facto de cada vez serem necessárias menos pessoas.

“No nosso banco temos pessoas a trabalhar como robôs. E no futuro vamos ter robôs a comportar-se como pessoas. Não é uma questão de saber se nós, como banco, vamos participar nessas mudanças ou não. Vai acontecer”, afirmou John Cryan, numa conferência em Frankfurt esta quarta-feira. “A dura realidade para o setor bancário é que não iremos precisar de tantas pessoas quantas temos hoje”, acrescentou o responsável.

Todo o setor financeiro terá de se adaptar, mas o Deutsche Bank está entre os gigantes europeus sob maior pressão para reequilibrar a estrutura de custos — a instituição tem em curso um plano de reestruturação de cinco anos, que envolverá reduzir o número de postos de trabalho, atualmente a rondar as 100 mil pessoas em todo o mundo.

John Cryan falou do caso do banco que lidera, mas a análise poderá estender-se às outras instituições do setor. “Temos muitos contabilistas dentro do banco que passam muito tempo, basicamente, a funcionar como ábacos”, atirou.

Se olharmos para um contabilista a trabalhar no banco, uma grande parte do seu trabalho é produzir números. Demoram três ou quatro semanas a produzir um relatório e, depois, passam a trabalhar noutro relatório. Não seria ótimo se máquinas pudessem produzir o mesmo relatório em algumas horas? Aí os contabilistas poderiam dedicar o seu tempo a analisar os números, formar opiniões válidas sobre eles — pensar sobre o que os números significam, e não apenas produzi-los”.

A banca está a ter que investir (e contratar) cada vez mais em especialistas em regulação, porque a própria regulação é cada vez mais intensa. Mas a mudança do modelo de serviço, com menos pessoas e menos sucursais, já está a constatar-se em Portugal — e as novas tecnologias vão acentuar este movimento. Ainda esta semana, segundo contas do Correio da Manhã, foi noticiado que os principais bancos nacionais perderam 7.196 trabalhadores nos últimos 10 anos.

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