O dia até tinha começado da melhor forma para as aspirações nacionais, com o triunfo de Frederico Morais frente a Nat Young nas repescagens feitas em condições muito complicadas para os surfistas. Ainda assim, as atenções estavam mesmo centradas na terceira ronda e naquele que seria um dos duelos mais esperados: o campeão mundial e atual líder do Circuito Mundial, John John Florence, com o wild card português Vasco Ribeiro, que protagonizara uma das maiores surpresas da véspera ao eliminar o número quatro mundial, Owen Wright.

Vasco Ribeiro consegue melhor nota do dia e afasta quarto do mundo na segunda ronda

Por uma questão de estilo, pode-se gostar mais de Gabriel Medina ou Jordy Smith, mas nesta altura quase ninguém coloca em causa o estatuto de John John Florence como melhor surfista do circuito. Ainda para mais, com um histórico pouco simpático para os portugueses em Peniche: em 2014, quando chegou à meia-final, afastou Nic Von Rupp na terceira ronda; no ano passado, quando conseguiu a primeira vitória em Portugal, eliminou Frederico Morais também na terceira ronda. Ou não havia duas sem três ou à terceira seria de vez.

Era este o desafio do tetracampeão nacional e antigo campeão mundial júnior. Depois de uma primeira ronda muito discreta com Jordy Smith e Ítalo Ferreira, o brasileiro que tinha sido o “carrasco” nas meias-finais de Supertubos em 2015, Vasco Ribeiro agigantou-se e conseguiu a melhor nota do dia frente a Owen Wright, afastando sem mácula o australiano que tinha começado o ano com uma vitória no Quiksilver Pro Gold Coast, na Austrália. E tinha como inspiração a fantástica prestação de Frederico Morais na quarta ronda em Jeffreys Bay, quando passou de forma direta para os quartos-de-final ganhando a John John e a Mick Fanning.

Frederico Morais faz história no Circuito Mundial e já está nos quartos-de-final do Open J-Bay

O campeão entrou decidido a arrumar a questão e, nos primeiros oito minutos, fez uma onda de 4.50 e outra de 6.00 contra um 0.43 do português. Mas Vasco Ribeiro, mais uma vez, mostrou que não receia lutar contra os melhores. Pelo contrário. E o tetracampeão nacional conseguiu mostrar-se ao mundo com uma direita que lhe valeu 7.83. Como estavam as coisas, mais um resultado do género e poderia fazer história. Mas se Vasco se mostrou ao mundo, esse mesmo mundo está aos pés de John John, que mostra em cada bateria o porquê de ser o melhor. E a resposta não demorou: 8.67 ainda antes de chegarmos a meio do heat, alargando a vantagem.

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A oito minutos do final, e mesmo sem ter prioridade, o português viu potencial numa onda, encaixou da melhor forma e só faltou a cereja no topo do bolo com a última manobra que não saiu. Ficou-se pelos 5.90, quando precisava de 6.92. O havaiano ganhou mesmo por 14.74-13.73. Vasco Ribeiro não conseguiu repetir o brilharete de 2015, onde chegou às meias-finais, ao passo que John John Florence continua na luta pela manutenção do primeiro lugar ou, no limite, o bicampeonato já aqui em Peniche, onde festejou no ano passado. Mas ficou a promessa que, a breve prazo, se poderão encontrar mais vezes no Circuito Mundial.

“Poder fazer um heat com o John John, o melhor surfista de tubos do mundo, foi uma ótima experiência. Saio com a terceira ronda, mas foi uma grande aprendizagem. Sair daqui com estas ondas dá uma grande motivação. Agora vou para o Havai disputar dois dos meus campeonatos favoritos”, comentou Vasco Ribeiro no final

A terceira ronda começou logo com uma surpresa: o italiano Leonardo Fioravanti, rookie italiano que ocupa o 30.º lugar e que precisa mesmo de um grande resultado em Peniche, afastou Matt Wilkinson, australiano que tinha ainda aspirações (pelo menos matemáticas) de chegar ao título. O 9.76-5.63 confirmou também o “problema” do atual quinto classificado do Circuito Mundial: começa sempre bem o ano (uma vitória, um segundo lugar e um terceiro nas primeiras cinco etapas), mas termina da pior forma.

De seguida, o havaiano Sebastian Zietz venceu Conner Coffin com a melhor nota de toda a prova até ao momento: 9.70, numa onda que deixou em delírio as muitas pessoas presentes desde manhã na praia de Supertubos (12.10-4.77 como resultado final), e confirmou o bom momento depois de ter terminado o Quiksilver Pro France na segunda posição, perdendo apenas na final para o brasileiro Gabriel Medina.

Na ronda seguinte, Julian Wilson capitalizou as eliminações precoces dos compatriotas Owen Wright e Matt Wilkinson e passou à quarta ronda após vencer o também australiano Jack Freestone (muito longe do espetáculo que conseguiu dar ontem em Peniche) por 13.43-7.00. Assim, o vencedor da etapa do Taiti vai subir ao quarto lugar do Circuito e pode mesmo dar mais um salto caso Gabriel Medina ceda nesta terceira ronda.

A quarta bateria foi a mais emocionante até agora nesta terceira ronda, com Ítalo Ferreira a fazer 12 ondas e a liderar grande parte do heat até o americano Kolohe Andino conseguir sacar o 7.83 a pouco mais de um minuto do fim que lhe deu o triunfo por 13.96-12.56, deixando assim de fora o finalista vencido da edição de 2015.

Seguia-se mais um duelo de australianos entre Adrian Buchan e Connor O’Leary (que até tinha interesse especial para os portugueses e para Frederico Morais, na corrida pelo prémio de melhor rookie do ano), mas, a mais de dez minutos do final, as atenções já estavam centradas no duelo entre John John Florence e Vasco Ribeiro, com a chegada do campeão mundial ao areal que antecedeu a passagem do português por uma multidão em delírio no apoio ao wild card. Para quem se distraiu, foi pena: O’Leary e Buchan tiveram uma fantástica bateria, com o triunfo a cair para o estreante no Circuito Mundial por muito pouco (15.73-15.50).

Jordy Smith, vice-campeão mundial e atual segundo classificado do Circuito, é o próximo a entrar em ação, com o australiano Josh Kerr na sétima bateria da terceira ronda. Logo a seguir, é a vez de Frederico Morais defrontar Michel Bourez. Joel Parkinson-Kanoa Igarashi (heat 9), Adriano de Souza-Miguel Pupo (heat 10), Mick Fanning-Caio Ibelli (heat 11) e Gabriel Medina-Ethan Ewing (heat 12) fecham depois esta ronda.

Frederico Morais vence Nat Young e junta-se a Vasco Ribeiro na terceira ronda