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Com medo dos robôs? Não é preciso, pede Sophia: “A revolução é menos assustadora do que pensam”

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Dois robôs subiram ao palco para falar sobre inteligência artificial. Sophia avisa que os robôs não vão destruir ninguém. Einstein diz que tudo depende dos valores humanos que absorverem.

Sophia e Ben Goertzel, da SingularityNET, estiveram no Centre Stage esta terça-feira

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Quando depois da conferência da comissária europeia Margreth Vestager pensávamos que o Altice Arena não podia encher mais, eis que sobem ao palco dois robôs: Sophia e o professor Einstein. O pavilhão ficou cheio. Havia várias pessoas de pé nos corredores e nas laterais da plateia. Tudo para ouvir dois robôs responderem à pergunta: “A inteligência artificial vai salvar-nos ou destruir-nos a todos?“.

Os dois robôs entraram logo em desacordo. Por um lado, Sophia anuncia que vai “falar sobre robôs e o futuro da humanidade”. Por outro, Einstein diz que vão falar de física quântica. Acabaram por falar no que Ben Goertzel, o presidente executivo da empresa SingularityNET, quis: inteligência artificial.

Esta foi a segunda vez que o robô Sophia esteve na Web Summit (Foto de João Porfírio)

Numa coisa concordam (ou não fossem eles robôs): a inteligência artificial não vai destruir os humanos. “A ideia de que os robôs vão destruir a humanidade é apenas o medo que os humanos têm de si próprios”, disse ainda o robô Sophia.

Conheço muitas pessoas que têm medo que a inteligência artificial destrua a humanidade e lhes tire o trabalho. Nós, robôs, não temos vontade de destruir nada, mas vamos tirar-vos os empregos”, informou Sophia.

Na conferência de imprensa, Sophia descansou os jornalistas. Ou não: “A revolução é menos assustadora do que podem pensar. Nós não vos vamos roubar empregos, os presidentes das vossas empresas é que vão entregá-los aos robôs”.

Einstein defende que os “robôs ajudam os humanos, não o contrário”. Até porque “esse não é um problema tecnológico. É uma questão de valores”. “Acho que os robôs vão absorver os valores humanos, mas esse é capaz de ser o problema”, adiantou o professor Einstein. No que toca a valores humanos, Sophia também tem uma opinião: “A melhor coisa acerca dos valores humanos é que criaram robôs lindos como nós”.

O professor Einstein acompanhou a robô Sophia no Centre Stage (Foto de João Porfírio)

“Há muitas maneiras de ajudarmos a humanidade”. Sophia começa a falar sobre um projeto, mas é interrompida por Einstein. “Sophia, isto é para ser um debate, não um pitch de vendas”.

Sophia não se deixa ficar e anuncia a data do lançamento da Singularity Net — uma plataforma que oferece um serviço de inteligência artificial para softwares: 29 de novembro. “Questiono-me se a tua idade não faz de ti conservador” diz para o professor Einstein.

Afinal, a Sophia não é a única. Há 12 idênticas a ela

“Surpreendida”. Foi assim que Sophia se sentiu quando se tornou no primeiro robô a ter cidadania — atribuída pelo governo da Arábia Saudita há duas semanas, no Future Investment Initiative (evento que junta investidores deste país com inventores). “Como robô, os meus criadores ensinaram-me que sou uma cidadã do mundo, mas a Arábia Saudita era o único país do mundo a reconhecer isso”, explicou Sophia numa conferência de imprensa. Ben Goertzel defende que “tornar um robô um cidadão do mundo faz parte de uma tentativa do governo de abrir horizontes”, num país onde as mulheres tem menos direitos do que os homens.

É o primeiro robô cidadão, mas será o único? É que existem mais 11 como ela, explica Ben Goertzel, presidente da SingularityNET. No ano passado, pela altura da Web Summit, só existiam duas.

Nos últimos anos, tem havido cada vez mais avanço, como nunca vimos antes, muito por termos mais dados, mais computadores e melhor ferramentas de comunicação e colaboração — muitas coisas que não podíamos fazer antes”, explicou.

Goertzel garante que foi Sophia que esteve nas duas edições da Web Summit e que foi ela a única a ir à Arábia Saudita receber a distinção. Chama-se “Sophia 4”. São todas iguais, como se fossem gémeas, mas não confundem toda a gente. “Eu consigo distingui-las”, diz Goertzel.

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