A Siemens anunciou um plano para reduzir 6.900 empregos, metade dos quais na Alemanha. O setor da produção de energia é o mais afetado com o fecho de duas unidades por causa de uma queda acentuada das encomendas.

O setor da eletricidade e gás vai perder 6.100 postos de trabalho. O resto da redução de empregos virá de outros negócios industriais. O grupo de engenharia alemão tem uma forte presença em Portugal onde empregava diretamente cerca de 1700 colaboradores, segundo números de 2016 que indicam ainda receitas de 350 milhões de euros. Mas não foi para já possível saber se esta reestruturação vai afetar a operação portuguesa. A Siemens Portugal diz apenas nada ter a acrescentar ao comunicado feito pela casa-mãe.

A informação institucional do grupo adianta que a Siemens emprega, direta e indiretamente, cerca de 2.000 profissionais em Portugal onde tem vários centros de competência mundial nos setores da energia, infraestruturas, tecnologias de informação e serviços partilhados. A empresa tem uma fábrica em Portugal, Corroios, ligada à área de gestão de energia que não faz parte do setor mais afetado pela reestruturação.

Para já, o grupo com sede em Munique revela que tenciona fechar as fábricas de Goerlitz e Leipzig, duas localidades no leste da Alemanha e juntar as operações de Offenbach e Erlangen. Ainda está em aberto o cenário de transferir estas unidades para Erfurt ou vender. Na unidade de Muellheim serão reduzidos 640 empregos, enquanto que Berlim perderá 300 postos de trabalho.

“Os cortes são necessários para assegurar que a nossa capacidade técnica na tecnologia de produção de energia, geradores e motores elétricos se mantém competitiva no longo prazo”, justificou o diretor de recursos humanos, Janina Kugel. O plano agora revelado é o mais agressivo em quase dois anos e surge num momento em que o presidente executivo, Joe Kaeser, procura implementar mudanças estruturais na companhia. A Siemens, tal como a rival americana General Electric, enfrentam os desafios de um novo paradigma na tecnologia produção de eletricidade com a maior aposta nas fontes renováveis e uma redução da procura por centrais térmicas de ciclo combinado (gás natural).