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Bitcoin

75 euros em bitcoins (em 2011) comprariam hoje um T5 no Príncipe Real, em Lisboa

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Se tivesse aplicado 100 dólares (75 euros, ao câmbio da altura) em bitcoins em 2011, tinha comprado 333 moedas. Hoje essas 333 moedas dariam para comprar um "palácio" T5 no Príncipe Real.

YOSHIKAZU TSUNO/AFP/Getty Images

A cotação da moeda digital bitcoin está a aproximar-se dos 10.000 dólares por unidade, disparando cerca de 800% só este ano à conta (dizem os analistas) de o investimento em bitcoin estar a tornar-se cada vez mais “formal”. Desde que a bolsa de matérias-primas de Chicago (a CME) decidiu passar a negociar contratos futuros da moeda digital, a bitcoin quase duplicou de valor. A bitcoin é um investimento promissor para uns e uma “enorme bolha” para outros, mas o que é certo é que quem aplicasse uma quantia como 75 euros em 2011 — o ano em que a moeda começou a ganhar maior notoriedade — hoje poderia vender essas bitcoin por uma valor na ordem dos dois milhões e meio de euros.

Seria o suficiente para comprar um T5 com 318 metros quadrados na zona privilegiada do Príncipe Real, em Lisboa. Ao câmbio da altura, com 75 euros era possível comprar 100 dólares, o que no início de 2011 dava para comprar 333 bitcoins (era possível comprar uma bitcoin por 30 cêntimos de dólar, segundo o site Investopedia). Essas 333 bitcoins valeriam, hoje, excluindo eventuais comissões, mais de 2,6 milhões de euros — já que cada bitcoin atingiu um recorde de 9.735 dólares esta segunda-feira, segundo a Bloomberg (na semana passada estava nos 8.000 dólares).

[Veja no vídeo como é que as bitcoins já valem tanto]

Foi nesse ano que a cotação disparou até à casa dos 17 dólares, corrigindo depois durante o verão quando houve o colapso da bolsa Mt.Gox. Apesar de muitos terem vaticinado, logo aí, a morte da moeda digital, a realidade é que a cotação recuperou e em finais de 2013 superou os 1.000 dólares por unidade, sobretudo graças à procura por parte de chineses — naquele país a moeda consolidou-se como alternativa e como forma de contornar os controlos de capitais. Ainda assim, naquela altura, havia poucos serviços onde se podia, efetivamente, pagar coisas com bitcoin – um cenário que já tem vindo a mudar, com empresas como a Microsoft, a Dish e a Dell a aceitarem pagamentos de alguns serviços.

O principal interesse na moeda digital tem-se justificado, contudo, com um investimento especulativo, uma aposta de que a tecnologia das moedas digitais — e desta, em particular — tem pernas para andar. Existem, contudo, muitas pessoas que veem na bitcoin e nas criptomoedas o futuro do dinheiro, baseado na tecnologia que faz o registo instantâneo de todas as transações, de forma aberta e transparente (o blockchain).

O presidente do JP Morgan Chase, Jamie Dimon, fez manchetes no mês passado dizendo que a bitcoin era uma fraude, alimentada pelos “estúpidos” que investem nela — porém, no banco que lidera há diretores, como a administradora-financeira Marianne Lake, que têm uma “mente aberta” em relação ao investimento nestas criptomoedas, desde que adequadamente reguladas.

Apesar das valorizações e da possibilidade de virem a ser negociadas em bolsas tradicionais (ainda que indiretamente, através de contratos futuros como os do petróleo), a bitcoin continua a ser vista com algum escárnio na comunidade financeira. Este mês, durante a conferência anual de investimento da Schroders, um analista da gestora de ativos dizia que como tinha pena de a sua carreira já ter começado após o estoirar da bolha das dotcom (2000), “é muito interessante estar a assistir, na primeira fila, à formação de uma bolha”.

A bitcoin é uma moeda descentralizada e global: descentralizada porque não é regulada por nenhuma entidade oficial; global porque é usada em praticamente todo o mundo — e se é a primeira vez que está a ouvir falar dela, temos dois trabalhos aprofundados sobre o tema, aqui e aqui. A quantidade de bitcoin (também chamada de oferta, ou supply) é controlada de forma automática por milhares de computadores em todo o mundo, programados para tal.

Qualquer pessoa pode ter computadores a correr o software da bitcoin, ainda que hoje seja muito mais difícil “extrair” novas bitcoin do que no início. Ao mesmo tempo que estão a tentar “extrair” novas moedas, os computadores têm de permanecer ligados para que possam processar as transações de bitcoin. Essa é a chave da bitcoin: ao mesmo tempo que estou a tentar obtê-las, estou a contribuir com o meu poder computacional para que o registo mundial das transações esteja em ordem — atualizado e verificado em tempo real.

Quando a moeda foi pensada, o seu criador (ou criadores) — sob o pseudónimo Satoshi Nakamoto — fê-la para que a oferta fosse deflacionária por natureza, ao contrário de outras divisas cuja oferta é teoricamente ilimitada. Assim, Nakamoto programou o software para reduzir gradualmente a oferta de bitcoin. Um empresário australiano afirmou em 2016 ser o criador da bitcoin, mas a história continua envolta em muito mistério.

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