Carlos Carvalhal é o novo treinador do Swansea, equipa que ocupa atualmente o 20.º e último lugar da Premier League. O acordo foi anunciado ao final da manhã pelo clube galês e confirma aquilo que parece mesmo ser uma nova tendência em Inglaterra nos treinadores portugueses: depois de José Mourinho (Manchester United, após passagem pelo Chelsea) e Marco Silva (atualmente no Watford, depois do Hull City), há mais um técnico nacional no principal escalão daquela que é para muitos considerada a melhor Liga do mundo.

Curiosamente, Carvalhal, que assinou contrato até ao final da temporada com opção, acaba por fazer um trajeto “anormal” em termos de posição como técnico: poucos dias depois de ter terminado por mútuo acordo a ligação com o Sheffield Wednesday (equipa do Championship, escalão equivalente à nossa Segunda Liga), no seguimento de uma série de sete jogos seguidos sem vencer, o português acaba por chegar à principal divisão do futebol inglês, substituindo Paul Clement com o objetivo de tirar a formação galesa da última posição quando está a cinco pontos da permanência.

Carlos Carvalhal deixa comando do Sheffield Wednesday por “mútuo acordo”

Num plantel com uma qualidade acima daquilo que a atual classificação demonstra, Carlos Carvalhal vai contar com um jogador português: Renato Sanches, médio que está cedido pelo Bayern até ao final da temporada e que tem encontrado algumas dificuldades de adaptação à Premier League. Além do jovem campeão europeu de seleções, o técnico tem ainda nomes de valia como o guarda-redes Fabianski, o central Federico Fernández, o médio Leroy Fer e os avançados Wilfried Bony ou Jordan Ayew.

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“Sentimos que era necessário a situação do nosso treinador o mais rapidamente possível e, apesar de não ser o timing perfeito, podemos olhar para a segunda metade da época com um renovado otimismo. O tempo do Carlos no Sheffield Wednesday destacou o seu grande carácter e personalidade para liderar a equipa e um clube de futebol, o que é vital neste tempo crucial para nós. Construiu uma carreira com muita experiência que vai assegurar que a equipa seja estruturada e organizada”, referiu o presidente do Swansea, Huw Jenkins.

“Sinto-me muito motivado, é a melhor palavra. Vai ser um desafio complicado, sabemos a posição que ocupamos, mas podemos atingir os nossos objetivos. É preciso haver um grande compromisso dos jogadores em campo e dos adeptos no apoio, que também faz a diferença. Não podemos prometer nada, mas vamos trabalhar muito para colocar a equipa a jogar um bom futebol, um futebol que permita aos nossos fãs reconhecerem a nossa identidade”, comentou Carlos Carvalhal nas primeiras palavras como técnico dos galeses.

Aos 52 anos, Carvalhal, um antigo defesa central formado no Sp. Braga que foi internacional Sub-21 e chegou a passar pelo FC Porto (além de Desp. Chaves, Beira-Mar, Tirsense e Sp. Espinho), vai comandar o 16.º clube desde 1998/99, altura em que chegou a ser treinador-jogador dos tigres de Espinho. Seguiram-se Freamunde, Vizela, Desp. Aves, Leixões, V. Setúbal – em duas ocasiões –, Belenenses, Sp. Braga, Beira-Mar, Asteras Tripoli (Grécia), Marítimo, Sporting, Besiktas, Istanbul BB (ambos da Turquia) e Sheffield Wednesday (Inglaterra).

Carvalhal. “E se o Van Basten jogasse no Braga?”

A grande carreira no Leixões, onde conseguiu levar uma equipa da 2.ª Divisão B de forma fantástica à final da Taça de Portugal em 2002 (e Supertaça, no ano seguinte), e a vitória na edição inaugural da Taça da Liga pelo V. Setúbal (clube que já tinha subido à Primeira Liga em 2004), em 2007, foram dois dos principais momentos de uma carreira que teve como pontos altos as passagens pelo Sporting (entrou a meio da época, rendendo Paulo Bento no final de 2009) e pelo Besiktas. No Sheffield Wednesday, acabou por falhar na reta final a promoção à Premier League em duas ocasiões (2016 e 2017), saindo derrotado nos playoffs.

Curiosamente, o primeiro jogo de Carvalhal no comando do Swansea deverá ser este sábado, dia 30, fora frente ao Watford… de Marco Silva (15 horas).