A Impresa, através da Impresa Publishing, anunciou esta terça-feira que concluiu a venda do segmento de revistas à empresa Trust in News, detida na sua totalidade pelo antigo jornalista Luís Delgado, por 10,2 milhões de euros.

“A IMPRESA – Sociedade Gestora de Participações Sociais, S.A. informa que a sua subsidiária IMPRESA Publishing. S.A. celebrou, nesta data, um contrato de transmissão do negócio atinente às publicações Activa, Caras, Caras Decoração, Courrier Internacional, Exame, Exame Informática, Jornal de Letras, TeleNovelas, TV Mais, Visão, Visão História e Visão Junior, a favor da sociedade Trust in News, Unipessoal, Lda. […], com efeitos a 1 de janeiro de 2018”, lê-se no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A Impresa não divulgou os montantes envolvidos no negócio.

Balsemão: venda das revistas vai tornar grupo Impresa mais ágil e forte

O presidente executivo da Impresa, Francisco Pedro Balsemão, afirmou que com a venda de 12 revistas à empresa Trust in News, de Luís Delgado, o grupo será mais ágil, mais forte e estará mais preparado para o futuro.

Num comunicado interno, a que a Lusa teve hoje acesso, o presidente executivo afirma: “Com esta mudança, seremos mais ágeis, mais fortes e estaremos mais preparados para o futuro. Um futuro que encaro com otimismo e entusiasmo”.

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Francisco Pedro Balsemão refere que “com o início do novo ano, a Impresa começa um novo ciclo: concluiu-se hoje o processo de venda de 12 publicações da área ‘Publishing’, reconfigurando profundamente o grupo”.

“Tratou-se de uma operação ímpar, complexa e sensível, inserida no Plano Estratégico para o triénio 2017-2019, com a sua concretização cumprimos o objetivo de reposicionar a nossa atuação, que está mais focada no audiovisual e no digital, sem deixarmos, naturalmente, de apostar na versão impressa do Expresso, 45 anos depois da fundação, que esteve na génese da Impresa, e hoje com maior circulação em Portugal”, prosseguiu o gestor.

“Passamos, assim, a partir de agora, a centrar a nossa atividade nas duas marcas mais fortes do grupo: o Expresso e a SIC”, continuou, adiantando que “são dois blocos sobre os quais” a Impresa constrói o seu caminho.

“É a partir deles que inovaremos e criaremos novos produtos e serviços, tal como sempre fizemos, com projetos pioneiros como a SIC Notícias, a SIC Mulher e os restantes temáticos no caso da televisão, ou a Tribuna e o Boa Cama Boa Mesa, no caso do Expresso. Sem esquecer outros que trazem valor acrescentado ao nosso portfólio, como a Blitx e o Smack”, refere Francisco Pedro Balsemão.

“O nosso mundo, o dos media, está em constante mutação e é imperioso adaptarmo-nos e sermos mais disruptivos que os restantes. Mantendo sempre os nossos alicerces firmes – a qualidade, a confiança, a independência – acredito que seremos bem-sucedidos”, acrescentou.

O presidente executivo da Impresa deseja felicidades aos trabalhadores que são transferidos para a Trust in News: “Seremos concorrentes, mas também parceiros em determinadas ocasiões e nos primeiros meses partilharemos até o mesmo espaço em Paço de Arcos; acima de tudo, estaremos do mesmo lado no que respeita à vontade de ver crescer o setor da comunicação social”.

Relativamente aos que vão continuar a trabalhar na Impresa, Francisco Pedro Balsemão deixa uma palavra de gratidão e força.

“De gratidão, por tudo o que têm feito para o êxito desta empreitada. De força, porque precisamos da vossa garra e energia para continuarmos a ser o melhor grupo de media em Portugal”, concluiu o gestor.

Valor da venda é de 10,2 milhões de euros

O valor acordado da venda das revistas da Impresa à Trust in News, de Luís Delgado, é de 10,2 milhões de euros, “mas o impacto contabilístico ainda não está totalmente avaliado”, anunciou esta terça-feira a dona da SIC.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Impresa refere que “o valor de alienação acordado é de 10,2 milhões de euros, mas o impacto contabilístico ainda não está totalmente avaliado”.

Decorrente deste valor, “a Impresa estima incorrer em imparidades do ‘goodwill’ [ativo intangível que surge muitas vezes da aquisição de uma empresa por outra, correspondendo à diferença entre o que uma empresa paga para adquirir outra e o valor patrimonial dessa mesma empresa], que estão em fase de quantificação, de custos de reestruturação, além da avaliação do impacto fiscal”, prossegue o grupo, adiantando que “o valor da alienação e respetivo impacto contabilístico nas contas anuais de 2017 serão oportunamente divulgados, no momento que estejam disponíveis”.

Anteriormente, a dona da SIC tinha revelado que o negócio da venda de 12 revistas do grupo, entre as quais a Visão, tinha ficado concluído esta terça-feira, mas sem revelar valores.

“A Impresa — Sociedade Gestora de Participações Sociais, S.A. informa que a sua subsidiária Impresa Publishing. S.A. celebrou, nesta data, um contrato de transmissão do negócio atinente às publicações Activa, Caras, Caras Decoração, Courrier Internacional, Exame, Exame Informática, Jornal de Letras, TeleNovelas, TV Mais, Visão, Visão História e Visão Junior, a favor da sociedade Trust in News, Unipessoal, Lda. […], com efeitos a 1 de janeiro de 2018”, lê-se no comunicado.

“Esta alienação foi realizada no seguimento do Plano Estratégico para triénio 2017-2019 e do reposicionamento da atividade da Impresa, com um enfoque primordialmente nas componentes do audiovisual e do digital”, acrescenta a Impresa, que é acionista da Lusa, detendo 22,35% da agência de notícias.