A proposta não está escrita na moção de estratégia que o candidato apresentou durante esta campanha eleitoral à liderança do PSD, mas Rui Rio coloca-a agora como uma hipótese viável: indexar parte das pensões a fatores económicos como a taxa de crescimento do PIB ou a taxa de desemprego mas tendo sempre uma base mínima garantida. “Imagine que a sua pensão é de mil euros — ninguém mexe aí — mas num ano pode ser de 1100, noutro ano de 1200, noutro de 1150 em função de indicadores económicos”, ilustrou o candidato em entrevista ao Público e à Renascença, que será publicada na próxima segunda-feira.

“Não é o momento para apresentar propostas sectoriais de um programa”, admitiu Rio, explicando por que razão a proposta não está no papel, mas justificando a sugestão como uma das ideias “que se pode pôr em cima da mesa para, abertamente, debatermos todos”.

A proposta de indexação de parte das pensões a fatores como o crescimento do país surge agora no rescaldo de um debate à liderança do partido que, admitem até alguns apoiantes do candidato, correu pior a Rio do que a Santana Lopes. O antigo autarca do Porto admitiu na mesma entrevista ao Público não ter gostado do debate e disse também ser capaz de fazer os mesmos “truques” que Santana utilizou. “E se eu tenho entrado na mesma tática que entrou o meu adversário, qual seria a imagem que o PSD tinha dado ao país?”, questiona.

A ideia foi também reforçada numa entrevista ao jornal Sol, publicada este sábado: “Santana precisava de espetáculo no debate”, declarou Rio.

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Sublinhando que preferiu concentrar-se em “debater os problemas do país”, Rio declarou não esperar que o adversário fosse “tão longe”. “Pensei que só jogasse com verdades e não com meias verdades”, declarou, em referência à participação que teve num almoço da Associação 25 de Abril e que Santana classificou como estar “a assobiar para o lado” enquanto Passos Coelho estava “a salvar o país”. A Associação já reagiu, acusando Santana de “animosidade” à organização.

Rio já tinha deixado claro na noite de sexta-feira, num jantar de militantes na Terrugem (Sintra), que não tinha gostado do tom do adversário no primeiro debate. No entanto, questionado pelos jornalistas sobre se iria manter a sua estratégia, Rio garantiu que sim: “Vou, apesar de haver muitas pessoas que me pedem: «faz-lhe o mesmo», e não é difícil fazer o mesmo.”

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