“Os filhos mais velhos ficavam a tomar conta dos mais novos para que ela [Louise] e o David pudessem cometer as loucuras da juventude que não cometeram”. Que loucuras? “Ela [Louise] e David conheceram um homem online“, que vivia em Hunstville, no estado norte-americano do Alabama. O pai das 13 crianças — mantidas em cativeiro e subnutridas — levou a mulher até lá para que o pudessem conhecer e para Louise “dormir com ele”. As revelações foram feitas pela irmã de Louise, Teresa Robinette, numa entrevista ao programa “The Today Show” do canal norte-americano NBC.

Foi a própria Louise que contou à irmã o que tinha acontecido, numa altura em que ainda era considerava por ela uma adolescente, pelo que Robinette não sabe se os outros irmãos ou mais alguém conhece a história. Mas agora já todos sabem. Sabem também que David não só “não se importava” como foi ele que levou a mulher até ao motel. O encontro com o homem do Alabama aconteceu “perto do aniversário dos 40 anos” de Louise, “por volta de 2009 ou 2010”.

“O que torna tudo pior e mais estranho”, conta Robinette, é que no dia em que fez um ano que Louise se tinha encontrado com o homem de Alabama, “David levou-a ao mesmo sítio, exatamente ao mesmo quarto de hotel, exatamente à mesma cama onde ela dormiu com esse homem, para dormir com ela“.

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Louise tinha sido abusada sexualmente por “um membro da família muito, muito, muito chegado”

Na entrevista, Robinette contou ainda que a família já tinha um historial de abusos. Revelou que ela, Louise, a mãe e alguns primos foram abusados sexualmente por “um membro da família muito, muito, muito chegado“. Os abusos começaram por acontecer com a mãe, mas foram-se alargando a outros familiares. “Um membro da família muito, muito, muito chegado que devíamos ter amado e confiado abusou sexualmente da minha mãe e depois de mim, Louise e Elizabeth e alguns primos da família”.

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A Louise não existe mais. Ela e o David morreram para mim“, disse a tia das 13 crianças, das quais só conheceu pessoalmente os mais velhos. Num testemunho semelhante aos de outros tios, Robinette conta que sempre pediu para ver os sobrinhos mas o pedido foi-lhe sendo recusado. Chegou a fazer videochamadas com a irmã para poder ver as crianças. “Ela trazia um, dois ou três [filhos] de cada vez. Depois, mandava-os embora e dizia-lhes para chamar os outros”, conta Robinette.

Robinette deseja agora que as crianças possam conhecer os primos: “A minha maior esperança é poder abraçá-los e dizer-lhes que eles têm família que os ama”. Tal não chega para que as crianças possam ficar com membros da família: os sete filhos adultos vão, ainda esta semana, para um centro de assistência estatal. Os seis menores de idade serão divididos por duas casas de acolhimento.

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