“O que eu vivi foram situações de assédio sexual por parte de pessoas que tinham funções hierárquicas acima da minha“, escreveu Catarina Furtado na sua página do Facebook depois de ter admitido no programa da Rádio Comercial “Cada um sabe de si” que tinha sido vítima de assédio sexual. Uma resposta que deu de forma “automática e consciente”, explica agora.

Face à situação que viveu, Catarina Furtado conta agora mais pormenores. Diz que disse “não, com medo, e fingindo que não estava a perceber bem, arranjando desculpas e sorrindo para não nascerem conflitos irreparáveis”. E revela ainda como acabou. “Consegui. Fiquei orgulhosa”.

Ora, tenho uma filha e uma enteada, a minha enteada tem 21 anos, e eu quero que hoje elas percebam que quando um homem mais velho utiliza o seu “poder” para tentar algo mais, exercendo chantagem em relação às suas ambições, elas possam dizer “Não”, mas sem medo das represálias profissionais”, lê-se na publicação.

Catarina Furtado conta que a situação aconteceu numa altura em que era “muito jovem” e “cheia de vontade de provar que gostava de trabalhar”. “Com mini-saia, de calças, de vestido decotado ou de fato de treino ou gola alta”, desaba.

Não se sabe exatamente quando esta situação aconteceu, mas Catarina Furtado revela que só falou dela agora “porque de facto nunca calhou” e porque existe uma “espécie de libertação e proteção sobre esta questão” neste momento em que o movimento #Metoo domina a atualidade depois de conhecido o escândalo Harvey Weinstein. Catarina Furtado considera uma “oportunidade única” para que as mulheres parem “de ter de fazer jogos de cintura e poder de encaixe” e para que os homens se questionem “eticamente sobre esses comportamentos e mudarem“.

Catarina Furtado admite ter sido vítima de assédio sexual

Foi esta quinta-feira, no programa da Rádio Comercial, quando questionada sobre qual tinha sido o “momento mais embaraçoso” da sua vida”, que Catarina Furtado recordou o momento que foi vítima de assédio sexual. “Vou falar mesmo a sério agora. E não pensem que é moda, mas como agora toda a gente fala, há uma libertação geral. Foi quando fui assediada sexualmente”, disse.