Rio Tejo

Ambientalistas atribuem limpeza do Tejo a águas vindas de Espanha

Os ambientalistas dizem que a limpeza do Tejo está a ser feita com as águas vindas de Espanha, depois de o ministro do ambiente ter atribuído as melhorias às medidas adotadas nos últimos 10 dias.

ANTÓNIO JOSÉ/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Os grandes caudais que o Tejo tem apresentado nos últimos dias estão a permitir a limpeza do rio na zona do Fratel, disse esta quinta-feira o movimento proTEJO, notando que as águas estão a vir de Espanha.

Em comunicado, o Movimento pelo Tejo — proTEJO –, com sede em Vila nova da Barquinha, no distrito de Santarém, referiu que “a água do Tejo que o ministro do Ambiente diz que está ‘a caminho de boa’ vem de Espanha, estando os caudais extraordinariamente elevados vindos das barragens do país vizinho a permitir uma limpeza da água do rio Tejo na albufeira do Fratel”.

Segundo o movimento ambientalista, “afinal a água que vem de Espanha não é assim de tão má qualidade e permite obter resultados rápidos”. O comunicado do proTEJO foi divulgado depois de o ministro do Ambiente se ter congratulado na quarta-feira com a recuperação da qualidade da água do Tejo junto a Abrantes, uma melhoria que atribuiu às medidas adotadas nos últimos 10 dias.

João Matos Fernandes afirmou na Golegã que, depois dos valores de oxigénio registados no passado dia 24 de janeiro na barragem do Fratel, de 1,1 miligramas por litro (muito próximo do ponto em que não é permitida vida), os sete miligramas por litro registados na terça-feira revelam que as medidas adotadas nos últimos 10 dias fizeram “todo o sentido”.

“Neste momento temos uma qualidade da água a caminho de boa, já dentro dos padrões normais, mas os dados dizem que nesta altura do ano já deveriam estar nos nove miligramas por litro. De 1,1 temos sete, a recuperação foi muito boa e estou muito otimista com o que fizemos e com o muito que temos para fazer”, disse.

Os ambientalistas do proTEJO sublinharam neste dia estar “a registar-se um grande afluxo de água vinda de Espanha” e sustentam as suas afirmações com dados oficiais das barragens espanholas.

“Tendo em conta a menor quantidade de água, com as barragens da Extremadura espanhola a 49% a 5 de fevereiro de 2018, comparativamente com os 55% que se registaram na mesma semana de 2017, está a registar-se um grande afluxo de água vinda de Espanha”, sublinham, referindo como fonte o sítio Embalses.net — Província de Cáceres.

“Num único dia, a 7 de fevereiro de 2018, a barragem de Cedillo descarregou 5,36 hm3 [hectómetros cúbicos] de água e neste dia, dia 8 de fevereiro, entre as 3h e as 9h descarregou 3,68 hm3, perfazendo estes dois dias cerca de 09 hm3, ou seja, um volume de caudal muito superior aos 07 hm3 que Espanha está obrigada a enviar numa semana para cumprir a Convenção de Albufeira”, acrescentou.

Com base no Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos, o movimento indicou que “tem entrado e saído da barragem do Fratel, nos dias 5, 6 e 7 de fevereiro, um caudal médio diário entre 191 e 287 m3/segundo, com máximos de entrada de água de perto de 1.000 m3/segundo registados no dia 7 de fevereiro, quando o caudal mínimo acordado pela Agência Portuguesa do Ambiente com o concessionário EDP na barragem do Fratel e Belver é de 10 m3/segundo de caudal médio diário”.

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