Dinossauros

Erupções marinhas violentas potenciaram a extinção em massa do Cretáceo

Há muito que se tenta perceber o que terá levado à extinção dos dinossauros. A causa não parece ser única. Além da queda de um meteorito, as erupções vulcânicas podem ter tido um papel importante.

Ilustração de uma crista médio-oceânica em rápida expansão

E. Paul Oberlander, WHOI Graphic Services / Joseph Byrnes

O que levou à extinção dos dinossauros e de muitas outras espécies no final do Cretáceo? Certezas ainda não existem, mas a queda de um meteorito na península do Iucatão, no México, está entre as teorias mais aceites. No entanto, a história parece ser bem mais complexa do que isto: as ondas provocadas pelo impacto podem ter potenciado erupções violentas, incluindo nos fundos oceânicos, como descreve um artigo publicado esta quarta-feira na Science Advances.

Há cerca de 66 milhões de anos um asteróide (ou um pedaço de um asteróide maior que se terá partido no espaço) entrou na atmosfera terrestre e colidiu com a crosta junto à costa do México. O objeto celeste de 10 quilómetros de diâmetro criou uma cratera com cerca de 200 quilómetros — a cratera de Chicxulub. O impacto terá libertado uma quantidade de energia equivalente a quase 100 biliões de toneladas de TNT – mais do que mil milhões de vezes a energia das bombas atómicas que explodiram no Japão –, segundo o site Live Science.

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Animação do impacto na cratera de Chicxulub, com a produção de ondas de choque, ejeção de materiais, derretimento da crosta e estabilização — University of Arizona, Space Imagery Center

A violência do impacto terá provocado ondas sísmicas muito fortes que se propagaram por todo o planeta e tsunamis devastadores. Estas ondas sísmicas viajaram pela crosta (a camada superficial do planeta) até às cristas oceânicas, localizadas no limite submerso das placas tectónicas. Estas cadeias montanhosas são como um grande rasgão na crosta oceânica onde o magma emerge e a crosta é formada. A propagação de ondas sísmicas violentas até às cristas oceânicas terá provocado a extrusão do magma acumulado nestas zonas, indica o trabalho de Joseph S. Byrnes e Leif Karlstrom, investigadores nas universidades do Minnesota e Oregão (Estados Unidos), respetivamente.

Estas conclusões vêm dar força a um trabalho anterior que mostrava que o impacto do meteorito teria “acordado” os vulcões em todo o planeta, mas de forma catastrófica na Índia — na região de Deccan Traps. É certo que a lava já corria na região antes do impacto, mas o que os investigadores verificaram foi que duplicou depois depois disso, libertando na atmosfera um “cocktail mortífero” de dióxido de enxofre e de dióxido de carbono.

A erupção de mega vulcões, à superfície e submersos, libertou grandes quantidades de gases que terão provocado alterações na atmosfera com consequências para a vida terrestre. Da mesma forma, o impacto do meteorito terá projeto no ar material com potencial para provocar chuvas ácidas e bloquear a luz solar e o calor – arrefecendo a Terra em vários graus e dificultando a fotossíntese. Só nesta fase terão desaparecido cerca de três quartos das espécies de animais e plantas.

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