O asteroide de 10 quilómetros de diâmetro que caiu há 66 milhões de anos na Terra, mais propriamente no que é hoje a península do Yucatan (México), teve um impacto inigualável no planeta, mudando para sempre a vida que nele existia. Até aqui nada de novo. Mas uma equipa de investigadores acrescenta agora, numa publicação da Science, novas consequências deste impacto, como uma série de erupções violentas na Índia.

Este asteroide é um dos candidatos mais fortes para a extinção dos dinossauros. A colisão com a Terra terá libertado uma quantidade de energia equivalente 100 biliões de toneladas de TNT – mais do que mil milhões de vezes a energia das bombas atómicas que explodiram no Japão –, segundo o site Live Science. O impacto foi de tal maneira violento que provocou uma cratera de cerca de 180 quilómetros de diâmetro, provocando sismos, tsunamis e um aquecimento generalizado do planeta. O material projetado no ar terá provocado chuvas ácidas e bloqueado a luz solar e o calor – arrefecendo a Terra em vários graus e dificultando a fotossíntese –, lembra o Guardian.

Agora a equipa de Paul Renne, investigador no Centro de Geocronologia de Berkeley (Estados Unidos), vem mostrar que também terá “acordado” os vulcões em todo o planeta, mas de forma catastrófica na Índia.

“Não estamos a debater a importância do impacto em Chicxulub – foi um evento muito catastrófico –, mas o vulcanismo fez com que fosse difícil aos ecossistemas recuperar”, diz Loÿc Vanderkluysen, investigador na Universidade de Drexel, em Filadélfia.

Os fenómenos de vulcanismo intenso na Índia nessa altura já eram conhecidos – as erupções espalharam enormes quantidades de lava pela região de Deccan Traps e deixaram vestígios que ainda hoje é possível visitar na zona –, mas julgava-se que tinham apenas coincidido com a queda do asteroide, agora os investigadores pretendem demonstrar que foi consequência do impacto. O que foi feito foi analisar as camadas de lava aí presentes, sobretudo as inferiores, mais antigas.

É certo que a lava na zona já corria antes do impacto, mas o que os investigadores verificaram foi que duplicou depois do impacto, libertando na atmosfera um “cocktail mortífero” de dióxido de enxofre e de dióxido de carbono, como refere o Guardian. E isto pode ter acontecido com maior ou menor intensidade noutros pontos do planeta, impedindo que os ecossistemas demorassem 500 mil anos a recuperar.

O impacto deu origem a terramotos com magnitude, segundo contam os autores do estudo, de 11 na escala de Richter na zona mexicana. E na escala de 9 por todo o planeta. Criando um megatsunami de proporções e grau de destruição incalculáveis. Segundo explica o Washington Post, esta atividade sísmica tornou a crosta terrestre mais permeável. O magma presente no interior da Terra começou a sair através das fendas abertas. E enquanto o magma se expandia, os gases começaram a espalhar-se. Como exemplifica o mesmo jornal: foi como abanar uma garrafa de bebida com gás, com resultados explosivos.

Os vulcões, sozinhos, não teriam condições de extinguir todos os dinossauros. Estes já tinham provocado a extinção de várias espécies noutra era geológica, mas, desta vez, precisaram do apoio dos asteroides”, diz Paul Renne, citado pelo Washington Post. “Mas também não é possível saber o quanto cada uma dessas forças contribuiu para a extinção dos dinossauros, muito menos o tempo que demorou até eles desaparecerem. Não foi só num dia. Pode ter demorado milhares de anos.”

Já o paleontólogo Alexander Kellner, que não participou no estudo, citado pela Globo, é mais céptico em relação à ligação entre o cometa e as erupções: “É um fato que a explosão vulcânica praticamente dobrou. O problema é vincular este aumento com o impacto do corpo celeste. Não acredito que chegámos a uma conclusão definitiva de que estes fenómenos estão relacionados.”