Evoluir não é esquecer: é dar um passo em direção ao futuro. Foi esta a mensagem deixada por Adriano Moreira no 27º Congresso do CDS, em Lamego. Num momento em que Assunção Cristas é acusada pelos (poucos) opositores internos de ter esquecido a ideologia em função de um alegado pragmatismo eleitoral, o antigo presidente do CDS surgiu na reunião magna do partido para elogiar o esforço de renovação de Assunção Cristas, apaziguar as bases e lembrar que mesmo a Igreja Católica está a fazer um esforço de abertura à sociedade.

A matriz [do CDS] não sofreu qualquer alteração. Olhem para o Papa Francisco, ele não tem outro Evangelho. Mas [a matriz] de tem ser adaptada às exigências novas que aparecem”, defendeu Adriano Moreira, à chegada do conclave democrata-cristão.

Mesmo assumindo que matriz democrata-cristã se “deteriorou” na Europa e em Portugal, Adriano Moreira isentou Assunção Cristas de responsabilidades, preferindo elogiar a “capacidade de inovação extraordinária”da líder do CDS.

[Veja no vídeo o discurso de Adriano Moreira ao Congresso do CDS]

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No palco do Congresso, Adriano Moreira respondeu implicitamente aos críticos de Assunção Cristas, sublinhando que “a matriz do CDS não mudou”. O que está em causa, argumentou, é “o renascer da força da democracia cristã”, uma missão necessariamente entregue a uma “nova geração”.

Cristas, sugeriu Adriano Moreira, é o rosto dessa nova geração, a líder capaz de aliar a defesa dos valores da “família” à “liberdade de pensamento”. Representa uma “severidade carinhosa”, resumiu o antigo presidente do CDS, com 95 anos.

E foi para essa nova geração que Adriano Moreira falou durante grande parte da sua intervenção, num misto de mea culpa e elogio. “Comigo a culpa não morre solteira. Eu morro com culpa, porque a minha geração deixou uma pesada herança às gerações seguintes. Não fizemos tudo o que era possível. Perguntaram-me se eu esperava ver renascer a força da democracia-cristã, eu disse que com a minha idade talvez não possa ainda ver esse triunfo que faz falta à Europa, mas já há uma alegria suficiente: a força que representa este congresso dá-me a convicção de que o legado ja foi assumido e a liderança já esta entregue à geração que recebe sem benefício de inventário a defesa dos interesses de Portugal, da humanidade e dos valores da democracia cristã”, defendeu o antigo ministro do Ultramar.

No final da intervenção de Adriano Moreira, Assunção Cristas subiu ao palco para condecorar simbolicamente o antigo presidente do CDS, pondo-lhe um pin do CDS na lapela. Moreira despedir-se-ia dos militantes do partido com mais uma declaração de apoio à líder democrata-cristã. “Desejo as maiores felicidade à liderança de Assunção Cristas”, rematou.