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Desaparecimentos

Quem é Ana Julia, a principal suspeita da morte do pequeno Gabriel?

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Ana Julia, detida depois de ter sido encontrada com o corpo do pequeno Gabriel, desaparecido há dez dias, estava sob vigilância da Guardia Civil Espanhola há vários dias. Mas quem é ela?

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Autor
  • Ana Luísa Alves

É agora a principal suspeita pelo desaparecimento e pela morte do pequeno Gabriel, depois de este domingo ter sido encontrado o corpo da criança no seu carro. Ana Julia foi detida e, avança a imprensa espanhola, estava na mira das autoridades há vários dias. Mas quem é esta mulher?

Até há uns dias, a única pista que as autoridades tinham de Gabriel era uma camisola interior do menor, que foi Ana Julia quem entregou às autoridades, depois de a ter encontrado em Las Negras (na zona de Alería), a cerca de quatro quilómetros do local de onde este desapareceu, uma área que já tinha sido investigada pelas autoridades.

Além de ter vestígios do ADN da criança, a camisola estava completamente seca quando foi encontrada, apesar de nos dias anteriores ter estado a chover naquela região de Espanha. Foi isto que chamou a atenção das autoridades.

Em primeiro lugar, avança o jornal El Mundo, tudo indicava que a camisola não era do menino desaparecido, mas o pai acabou por confirmar, na semana passada, que realmente pertencia ao filho.

Apesar de também ter sempre acompanhado o pai de Gabriel durante todos estes dias, mantendo-se com uma postura triste e abatida após o desaparecimento do enteado, Ana Julia passou a estar na mira das autoridades espanholas também, numa entrevista à TVE, disse que o menino não poderia ter saído de casa sozinho, sem a ajuda de ninguém.

“Nesse dia ele voltou. O Gabriel costumava sair durante algum tempo, mas voltava com amigos ou sozinho, mas nesse dia ele não voltou a casa”, referiu, citada pelo El País. “O que o meu coração me diz é que alguém levou o Gabriel”, disse o pai da criança.

Uma relação recente

Ao chegar a Amería, Ana Julia começou por fazer novas amizades. Primeiro, há cerca de um ano, abriu um café num pequeno centro comercial em Las Negras, a que chamou “Black”, com o namorado que tinha na altura, Sergio. Pouco tempo depois, o namoro acabou e, segundo adianta o El Español, a separação foi dolorosa, admitiram amigos de ambos. Nos tempos que se seguiram, conforme refere a mesma publicação, Ana Julia começou a namorar com o pai de Gabriel, Ángel Cruz, e acabou por trespassar o negócio.

A relação atual dura há poucos meses, depois de ambos se terem conhecido numas férias há mais ou menos um ano, adianta a agência de notícias espanhola EFE, citada pelo jornal El Mundo. Ana Julia é de origem dominicana e chegou a Almería há quatro anos, depois de ter passado por Burgos.

Não haveria grande relacionamento entre os familiares de Ángel Cruz e a namorada, mas lembraram os jornais espanhóis que era habitual encontrarem-se aos fins de semana na localidade de Las Hortichuelas.

Ainda sobre a relação com os familiares de Ángel Cruz, o El País cita fontes que davam como certa uma “boa relação em público” mas um difícil trato com a avó de Gabriel. “Carmen [a avó da criança morta] não gostava do controlo que ela [Ana Julia] tinha sobre o seu filho”, cita o mesmo jornal, que diz ainda, de acordo com fontes próximas da investigação, que era uma mulher de “caprichos caros”.

No dia do desaparecimento do menino, apenas Ana Julia e a avó da criança estavam em casa. Na mesma entrevista à TVE, Ana Julia disse que nesse mesmo dia tinha alertado Gabriel para o perigo de falar com desconhecidos.

“Eu disse-lhe que se visse um desconhecido, ou se alguém o abordasse para ele correr. E nesse mesmo dia ele desapareceu” disse à TVE.

Já depois de ter sido detida, esta tarde, Ana Julia foi presente à Comandancia de Almería, onde esteve também um representante do governo espanhol, Antonio Sanz, e onde se dirigiram também algumas pessoas para exigir que seja feita justiça com a mulher detida.

O El País publicou também este vídeo, onde se pode ver como foi o momento da captura da suspeita. Segundo o jornal La Vanguardia, Gabriel estava morto desde o dia 1 de março, dois dias depois de alegadamente ter sido escondido pela namorada do pai.

Anos antes, quando vivia em Burgos, Ana Julia tomava conta de duas crianças, uma de quatro e outra de dois anos. A mais velha viria a morrer, vítima de uma queda de uma janela. Na altura, a morte foi classificada como “acidental” mas entretanto as autoridades voltaram a examinar detalhes do caso.

Contradições?

Os interrogatórios às pessoas que podiam ter algum envolvimento no desaparecimento de Gabriel duraram alguns dias. Na sexta-feira passada, segundo avança o jornal La Vanguardia, a Guardia Civil confrontou Ana Julia com algumas imagens captadas dela mesma. Na manhã deste domingo, adianta o mesmo de jornal, Ana Julia dirigiu-se ao poço onde tinha escondido o menino no dia do seu desaparecimento e os investigadores alegadamente terão fotografado o momento em que secava o corpo. Em seguida, terá sido detida pelas autoridades.

Segundo o jornal La Vanguardia, as contradições de Ana Julia também lançaram sobre si mesma suspeitas. As respostas vagas dadas às autoridades levou a que estas passassem a seguir todos os movimentos da namorada do pai do menino.

Sobre o motivo do crime, ainda não há qualquer confirmação e continuam a ser esperados mais esclarecimentos da parte da Guardia Civil. Mas há duas hipóteses citadas mais que quaisquer outras. Uma é de cariz emocional, e terá a ver com ciúmes, já que Gabriel seria a razão da boa relação entre Patricia Ramirez, a mãe da criança, e o pai, Ángel. A outra tem a ver com dinheiro e com um possível resgate no valor de 10 mil euros, oferecidos a quem quer que tivesse informações sobre o paradeiro de Gabriel.

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