Rio Tejo

Cargueiro encalhado na foz do Tejo à espera de condições favoráveis para ser rebocado

As operações de desencalhe do navio espanhol na foz do Tejo prosseguiram durante esta manhã, com o transporte de dez pessoas para bordo, para preparar nova tentativa de reboque.

MÁRIO CRUZ/LUSA

As operações de desencalhe do navio espanhol na foz do Tejo, em Lisboa, prosseguiram durante a manhã de segunda-feira, com o transporte de dez pessoas para bordo, para preparar nova tentativa de reboque, disse o porta-voz da Marinha.

Segundo o comandante Fernando Pereira da Fonseca, durante a manhã as operações consistiram em “colocar os seis elementos da empresa contratada para fazer o desencalhe do navio e quatro tripulantes” a bordo do cargueiro “Betanzos”, que encalhou na madrugada de terça-feira junto ao Bugio.

“Portanto, estão dez pessoas a bordo do navio encalhado, que foram colocadas através do helicóptero da Força Área Portuguesa”, explicou o também porta-voz da Autoridade Marítima Nacional.

Os elementos transportados por um helicóptero EH-101 ‘Merlin’, da Base Aérea do Montijo, “estão a fazer uma avaliação da condição do navio para depois identificarem os vários pontos fortes do navio, para passar o cabo de reboque”, explicou Pereira da Fonseca.

“Logo que esse trabalho, que tem alguma complexidade, esteja concluído, o rebocador virá para a posição e depois terá que ser passado o cabo de reboque para o navio, estabelecer o cabo de reboque e dar-se início à tentativa de desencalhe”, em articulação com a Capitania do Porto de Lisboa, adiantou o porta-voz da Marinha.

A nova tentativa para desencalhar o cargueiro, após pelo menos três sem sucesso na semana passada, será efetuada com o recurso a um rebocador de grande dimensão que chegou na quinta-feira de Gibraltar, mas o comandante salientou que a operação “depende de como os trabalhos vão decorrer durante a tarde”.

A próxima preia-mar será pela meia-noite, altura em que a maré poderá ajudar a desencalhar o cargueiro, tendo Pereira da Fonseca admitido que a melhoria das condições do mar até quinta-feira pode ser “uma boa janela” de oportunidade para retirar a embarcação da foz do Tejo.

“Acho que não sai”, arriscou à Lusa Horácio Paulino, de 61 anos, junto ao centro náutico do Clube Desportivo de Paço de Arcos, concelho de Oeiras.

O pescador, na conversa com um amigo e aproveitando para “apanhar um bocado de sol”, porque de barcos confessou já “estar farto”, comentou que o cargueiro “teve azar de encalhar ali, com as águas a morrer”, ou seja, com a maré a descer.

“O barco andou um bocadinho. Segundo vejo da minha janela, o gajo estava com a proa ‘encostada’ a um pinheiro e agora já está afastado”, informou outro morador na zona, de 76 anos, que se escusou a identificar.

No entanto, para este pescador desportivo, o facto de o cargueiro “ter andado foi bom, porque assim não está enterrado na areia”, situação em que, desabafou, “então não o tiravam dali”.

“O barco que trouxeram de Gibraltar tem uma força do camandro”, atirou, numa toada mais otimista, apesar de notar que a preia-mar dos próximos dias será das mais pequenas, só começando a aumentar perto do fim de semana.

“Aquilo é triste, porque não tarda muito está-se a partir”, avisou Fernando Viana, que assumiu ser “sessentão” e aproveitar a reforma para andar à pesca de mergulho.

O morador em Paço de Arcos aproveitou a hora de almoço para passar de novo junto à Praia de Santo Amaro de Oeiras, para verificar a posição do cargueiro que “saiu da doca do Beato carregado de areia para Marrocos”.

“É estranho como é que ele foi para aquele lado”, afirmou o morador, confirmando que costuma vir “muita gente” para registar o navio encalhado perto do Bugio.

O navio de bandeira espanhola “Betanzos”, com 10 tripulantes a bordo, encalhou na madrugada de terça-feira, cerca das 01h00, à saída da barra de Lisboa, após uma falha total de energia e da tentativa de fundear.

A bordo do navio estão 130 toneladas de combustível e 20 toneladas de resíduos oleosos, mas segundo o porta-voz da Autoridade Marítima considerou que, na ausência de danos estruturais, o risco de derrame é baixo.

Na quinta-feira, como medida de precaução devido ao mau tempo, dez tripulantes e quatro elementos técnicos foram resgatados do navio pelo helicóptero da Força Aérea Portuguesa.

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