Rui Patrício

De incitador a “espectador”

“Emiliano Zapata” dos Marrazes, foi ele, o capitão, o primeiro a divulgar no Instagram o comunicado que irritaria o presidente do Sporting. Terá sido o próprio punho de Patrício a escrevê-lo? Partindo do princípio que sim, Rui não é tão versado na sintaxe (nem tem que ser) como em manter inviolada uma baliza. Hoje manteve-a. (E mantém-na em Alvalade vai para uma dúzia de jogos.) É certo que Luiz Phellype e Xavier não são Diego Costa nem Griezmann — nem João Henriques é Cholo Simeone, o Paços de Ferreira é o Atlético, and so on, and so on… Mas as únicas duas defesas que fez, fez sempre a remate (ambos de livre, um logo a abrir o jogo e outro a meio da segunda parte) dos senhores da frente nos pacenses. Fora isso, ocupou, como é hábito, o melhor lugar cativo do estádio. Agora é esperar que o escultor Emanuel Santos dê um saltinho até Leiria (alguém conhece alguém na Bleacher Report?) para acrescentar a bigodaça e o sombrero em falta na estátua de Zapat…, perdão, Patrício.

Ristovski

A submissão de Phellype e as “piscinas”

O minuto era o 37. E o relvado tornar-se-ia por instantes num octógono de MMA. Luiz Phellype virou Ristovski ao contrário (o brasileiro viu cartão amarelo-mais-a-fugir-para-o-laranja) e o macedónio bateu (e bateu, bateu, bateu…) com a mão direita no relvado, desistindo do combate por submissão. Não, Ristovski não pode dar o seu contributo ao kickboxing ou ao taekwondo do Sporting. Mas se Piccini lhe recuperar a posição à direita da defesa, até pode ir dar umas braçadas na natação, tantas são as “piscinas” que faz ao longo dos jogos.

Coates

A rinoplastia de Felgueiras e o aceno (indisposto?) do presidente Bruno

Quase obrigou Mário Felgueiras a googlar “onde fazer uma rinoplastia em Paços de Ferreira à segunda-feira”, tal foi a bujarda com que acertou no guarda-redes pacense. Isto no decorrer da segunda parte. Antes, na primeira, e após o golo de Dost, foi ele que, de braço em riste, foi trazendo, um por um, quase todos até perto do holandês, em festejo/afronta. No banco, Bruno de Carvalho, visivelmente indisposto com a camaradagem a que se assistia, esboçou um aceno ligeiro com a cabeça, que é como quem diz: “Amanhã a gente conversa”.

Acuña

Ser lateral ou não ser, eis a questão

Houve quem o apelidasse de “Gaitán”. Outros foi mais de “Capel”. Canhoto como os dois citados, é argentino como o primeiro e “amarrecado” como o segundo. É quase sempre assim: se um possível reforço der à estampa na imprensa cá do burgo, os adeptos tiram-lhe de imediato a pinta (naqueles vídeos que apregoam INCREDIBLE SKILLS & GOALS) no YouTube. Nem tanto ao mar nem tanto à terra: Acuña nunca será Gaitán, mas está longe, bem longe de ser Capel. E hoje até foi o que nenhum é: defesa. A posição na lateral não lhe é estranha. Na Argentina, Sampaoli utiliza-o lá . Já no Sporting, Jorge Jesus continua a ter Coentrão como a sua primeira escolha na posição. Quando não há Coentrão, joga outro “Manel” — e esse é Bruno César. E quando não há Bruno César como hoje? Antes o Acuña que o Lumor! — terá pensado Jesus. A diferença entre jogar no Sporting e na seleção da Argentina como lateral é sobretudo o esquema. Na seleção, Acuña joga sempre com três centrais. No Sporting não. E ressente-se. Atacar, ele sabe atacar bem. A defesa é que não é ainda o seu forte. Valeu-lhe o compatriota Battaglia nas dobras.

Battaglia

Meio “Milhões”, meio Maradona

É uma verdade absoluta do futebolês: se passa a bola não passa o homem. Rodrigo Battaglia leva-a bastante a sério. E continua a derrubar homens sozinho como Aníbal Milhais, o “Soldado Milhões”, na célebre Batalha de La Lys. Ao minuto 22, contudo, “desceu” um Maradona em Battaglia e o trinco, habituado a destruir caneleiras, destruiu, isso sim, os rins ao central Miguel Vieira à entrada da grande área, num drible que tão cedo não se lhe verá — ou talvez sim, veja: em 2061, quando o Cometa Halley voltar.

Wendel

O comboio vai sair na linha oito com direção ao onze

Quando chegou ao Sporting, em janeiro, o treinador não augurou nada de bom ao carioca que tinha meia Europa à perna: “Wendel vai ter muita dificuldade em apanhar o comboio”. E teve. E estreou-se apenas este domingo como titular. Se apanhou o comboio? Apanhou. Não engana, Wendel: quando toca a sua bota direita a bola sai dela redonda. Sempre. Antes de dar a vez a outro, ao minuto 67 — que isto de correr atrás de um comboio é uma canseira –, acertou todos os 28 passes que tentou acertar.

Gelson Martins

Alguém recomende um osteopata ao Gelson

Cu bo ti fim de mundo. O “bo” hoje não era Semedo mas a equipa toda. E Gelson levou-a às costas para o ataque. E driblou com ela às costas. E rematou com ela às costas. E quase fez um chapéu a Felgueiras com ela às costas. E foi ele que assistiu Ruiz (com ela às costas) para o segundo do Sporting.

Bruno Fernandes

De pé, ó vítimas do sentado!

Bruno foi… Bruno: preponderante. Assistiu de cabeça Dost no primeiro. No segundo, isolaria Gelson de calcanhar. Após o golo de Ruiz, incitou à “rebelião” e ninguém não abraçou o costa-riquenho. Titulares e suplentes, todos abraçados em redor do banco. OK, Bruno, o outro, o Carvalho, presidente, continuou sentando, sozinho. No rosto de Bruno, este, o Fernandes, o preponderante Fernandes, vislumbrou-se por instantes um Kendrick sem trancinhas:

(Hol’ up, bitc*) sit down
(Hol’ up lil’ bitc*, hol’ up lil’ bitc*) be humble

Bryan Ruíz

Ele sentiu-se. (E não é muitos, e não são poucos, não é? Bastantes)

Ruíz joga a três velocidades: devagar, lento e parado. Isto sem bola. O outrora dispensado (e agora indispensável Bryan) não vai nas correrias dos Gelsons, por exemplo. Mas correu esta noite que se fartou. E assistiu. E marcou, imagine-se. “Um processo disciplinar motivará mais o Ruiz do que as palestras do Jorge Jesus.” (Confúcio, 551 a.C. – 479 a.C.)

Bas Dost

Excluído da Internet, a inclusão do costume na baliza

O primeiro golo foi dele, o insubordinado infoexcluído que, por não ter Instagram, não partilhou o comunicado da polémica mas concordou linha por linha com o que lá se escreveu. Na segunda parte foi falhando golos atrás de golos: ora desviou torto à meia-volta de pé direito, ora com a cabeça não desviaria melhor. Ao minuto 78, isolado por Bruno Fernandes, bateu Felgueiras. O árbitro anulou-lhe o golo. Mas anulou mal.

Fredy Montero

De Montero não reza a crónica

Entraria ao minuto 84 para o lugar Ruiz. Não falhando nenhum golo cantado (não houve tempo) como na quinta em Madrid, não será visado na próxima “crónica” de Bruno Carvalho no Facebook.

João Palhinha

Escondam os fósforos do Palhinha!

Se insubordinar-se lhe continuar valer jogar uns minutos, Palhinha vai certamente incendiar a Academia quarta-feira, na véspera do encontro com o Atlético.

212 340 229

(É o contacto dos Bombeiros Voluntários de Alcochete.)