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Startup portuguesa Sensei entra num dos maiores programas de aceleração do mundo

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Pouco depois de ter conseguido captar um investimento de meio milhão de euros, a Sensei integra um dos 10 maiores programas de aceleração do mundo e habilita-se a ganhar um total de 250 mil euros.

A empresa portuguesa foi uma das 14 empresas que conseguiram integrar o Impact Growth, programa de aceleração a que concorreram 2 mil startups.

Sensei

A Sensei, startup portuguesa que desenvolveu uma tecnologia de análise de informação através de inteligência artificial para o negócio do retalho, foi selecionada para integrar o Impact Growth, o maior programa de aceleração da Comissão Europeia e um dos 10 maiores a nível mundial.  Se, no final, for uma das duas melhores participantes do programa, a Sensei vencerá um prémio de 150 mil euros. Há ainda a possibilidade de receber um investimento de 1,5 milhões de euros por parte dos parceiros do programa.

Fundada em 2017 por Vasco Portugal, Joana Rafael e Paulo Carreira, a empresa traz para o universo do retalho físico a capacidade de recolher e analisar dados característicos do comércio eletrónico, através de um algoritmo que transforma as câmaras de vigilância das lojas num sensor que digitaliza e recolhe dados dos produtos e das interações dos clientes. Esta tecnologia valeu-lhes um lugar entre as 14 melhores startups da Europa que concorreram ao Impact Growth e um prémio de 100 mil euros, poucos meses depois de terem conseguido captar um investimento de meio milhão de euros por parte da Sonae, Metro e TechStars.

Em conversa com o Observador, Vasco Portugal e Joana Rafael, respetivamente diretor-executivo e diretora de operações da Sensei, explicaram que, através deste programa, a Comissão Europeia está à procura de incorporar startups com potencial de chegarem a série A de investimento no final do programa. “Fomos um dos felizes contemplados com este prémio”, disse Vasco.

Há cerca de um mês, a Sensei apresentou a empresa em Madrid, “em conjunto com outras startups que estavam lá nesse mesmo dia”, referiu o diretor-executivo, e acabou por ficar entre as 14 melhores. No total, foram 2 mil as empresas que concorreram à iniciativa, que é financiada pelo programa “Horizon 2020” da Comissão Europeia e conta com parceiros como a Kibo Ventures, Accelerace, Danone e Ferrovial Servicios.

“Nós recebemos um fundo de 100 mil euros a adicionar à nossa ronda de investimento privado que tínhamos obtido. No fundo, eles fizeram candidaturas e selecionaram 14 startups por toda a Europa para entrar neste programa, entre as quais o Sensei foi um dos contemplados”, explicou Joana Rafael. A startup de tecnologia está agora numa competição com outras 13 empresas, seguindo-se sete meses de trabalho com a Impact Growth no sentido de crescer a empresa e de a preparar para uma segunda ronda de investimento.

No final, podem vir a receber um segundo prémio de 150 mil euros sem abdicarem de alguma participação na empresa, e, na melhor das hipóteses, um investimento privado de 1,5 milhões de euros de uma das empresas associadas ao programa.

Nos próximos sete meses, vamos estar a trabalhar com eles para crescermos e prepararmos a empresa para uma segunda ronda”, explicou o diretor-executivo.

Esses sete meses de trabalho vão levar a Sensei a cidades como São Francisco e Londres para que os fundadores conheçam, entre outras coisas, vários investidores de capital de risco. A nova fase da jornada da empresa, que começou com uma apresentação em Madrid há cerca de um mês, inicia-se no Porto, onde vai decorrer um encontro entre startups e investidores.

A seguir ao encontro no norte do país, “há um conjunto de formações dadas pela União Europeia e pelo programa”, disse Vasco Portugal. “Depois, tem essas deslocações [a São Francisco e Londres], tem períodos de avaliação, tanto de negócio como a nível tecnológico, e no final há a componente de preparação da ronda de angariação de capital”, referiu.

Os 100 mil euros já recebidos pela empresa vão ser reinvestidos para preparar a Sensei para a próxima ronda de angariação de capital, explicando Vasco que “há um conjunto de métricas de negócio que têm de ser atingidas, há um conjunto de métricas a nível técnico que têm de ser atingidas e há uma preparação de todo o material para fazer a ronda de avaliação da empresa”.

“No fundo, para ir ao encontro daquilo que são os objetivos da empresa como um todo”, acrescentou Joana Rafael. Esse objetivo, refere a diretora de operações, é trazer para o mundo do retalho físico a capacidade de obtenção de informação que existe no meio digital.

O que nós queremos fazer com o Sensei é trazer essa informação para o retalho físico, que na verdade consiste em 90% de todo o comércio de retalho a nível mundial.”, explicou Joana. “Tanta gente, todos os dias e em todo o mundo vai às compras a uma loja física porque existe essa dificuldade de replicar no ‘e-commerce’ aquilo que existe numa loja física. Aquilo que nós procuramos com o Sensei é uma digitalização da loja para o retalho físico.”.

A tecnologia Sensei consiste num algoritmo de inteligência artificial que permite que cada câmara de vigilância dentro da loja se torne num sensor que extrapola informações relativas ao comportamento das pessoas. Esses dados analíticos são depois aglomerados e otimizados de modo a fornecer ao retalhista informação que lhe permita melhorar a experiência em loja.

Numa altura em que a discussão sobre a proteção de dados do utilizador está mais acesa do que nunca, a tecnologia do Sensei diferencia-se pela proteção da privacidade e identidade do cliente, que nunca é identificado. “Nós fazemos todo o processamento a nível local, o que significa que nós não recebemos nenhum vídeo. Tudo o que é vídeo é feito pelas câmaras que estão na loja e fica lá. Não temos um ‘data set’ [um conjunto de dados] que nos permita reconhecer as pessoas”, explicou ao Observador o diretor-executivo.

O que capturamos é uma pessoa que esteve ali durante 10 minutos a interagir com aquela área e ao final do dia aqueles dados são agregados e entregues ao retalhista. Mesmo que nós algum dia quiséssemos [reconhecer as pessoas] era impossível, porque nem as câmaras permitem fazer esse reconhecimento facial, nem nós tínhamos um ‘data set’ de comparação. O que nós fazemos é extrair todo o valor que existe para o retalhista, mas sem interagir diretamente com nenhum equipamento teu nem contigo. Esse é um dos pontos diferenciadores que nós temos: conseguimos melhorar a experiência em loja para o retalhista sem nunca, de certa forma, interferimos com a privacidade das pessoas que lá estão.”, afirmou Vasco Portugal.

Os dados recolhidos pelo Sensei, referiu Joana, são “totalmente anónimos e acabam por estar de acordo com aquela que é a nova lei de proteção de dados”, criando “uma barreira do retalhista para o cliente final, que fica com a privacidade protegida”.

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