Alemanha

SPD alemão elege a primeira mulher em 155 anos de história

Andrea Nahles foi eleita para a presidência do Partido Social-Democrata alemão, sucedendo a Martin Schulz. A política de 47 anos, que derrotou outra mulher, herda agora um partido fraturado.

Líder parlamentar do SPD é a nova presidente do partido

CLEMENS BILAN/EPA

Autor
  • Agência Lusa

A líder do grupo parlamentar do Partido Social-Democrata alemão tinha lançado uma espécie de promessa no congresso do partido. “Hoje, aqui, vamos quebrar um teto de vidro”, garantiu Andrea Nahles, durante um discurso perante o congresso do seu partido em Wiesbaden, no oeste da Alemanha, aludindo ao facto de, pela primeira vez nos seus 154 anos de história, o Partido Social-Democrata (SPD) estar disposto a colocar uma mulher na liderança. O apelo foi recebido e, este domingo, Andrea Nahles tornou-se na primeira mulher a liderar os sociais-democratas  nos seus 155 anos de história, batendo outra mulher na corrida: Simone Lange, antiga autarca da cidade de Flensburg que também já foi polícia.

Para garantir a presidência do partido e assumir assim a sucessão do histórico Martin Schulz — que liderou o SPD de 1993 até ao ano passado –, a política de 47 anos conquistou 66,35% dos votos: o correspondente a 414 em 624 delegados que participaram no congresso extraordinário de Wiesbaden. Mas a vitória, apesar de expressiva é vista como agridoce, dado que os restantes 172 delegados que votaram em Lange representam a fação de descontentes com a recente política seguida pelo partido ao aceitar uma coligação de governo com a CDU e a CSU.

“Mulher do povo, católica, oriunda de família trabalhadora, sindicalista e combativa”, Andrea Nahles herda assim a liderança de um partido fraturado. No seu discurso de vitória, ainda no congresso, a nova líder do partido e antiga ministra do Trabalho tentou passar ao lado dos focos de descontentamento e destacar as duas grandes batalhas do seu mandato: saúde e justiça social. “Precisamos de uma rede de solidariedade na economia e nas finanças”, defendeu. Isto porque, reforçou, a solidariedade é o que mais falta neste mundo globalizado, neo-liberal e turbo-digital. E, sejamos honestos, até certo ponto, a própria social-democracia”.

Com a eleição de Andrea Nahles, o cenário dos partidos na Alemanha reforça a liderança no feminino iniciada há quase duas décadas com Angela Merkel na União Democrata Cristã (CDU). A estas duas mulheres, juntam-se as presidências bicéfalas e partidárias dos Verdes ou da AfD (Alternativa para a Alemanha). A única exceção são os bávaros da União Social Cristã (CSU) e os liferais do FPD.

Apostar na coligação para renovar partido

A nova presidente do partido recordou durante o congresso de Wiesbaden o difícil caminho percorrido pelo partido até aceitar entrar numa nova grande coligação com a chanceler Angela Merkel desde a queda do partido nas últimas eleições, em que obteve um mínimo histórico de 20,5%. “Podemos renovar-nos a partir de dentro da grande coligação”, prometeu Andrea Nahles, descrevendo o SPD como “defensor da justiça social” e depois de recordar algumas das conquistas do partido, como a aplicação do salário mínimo interprofissional, conseguida na legislatura anterior, quando era ministra do Trabalho.

Ainda no seu discurso derradeiro, antes da votação do partido que lhe daria a vitória, Andrea Nahles apelou à unidade: “podemos consegui-lo, mas não é coisa para uma só pessoa, mas para todos juntos”. Simone Lange — que se apresentou como sendo uma “alternativa real” para um partido que, disse, “não pode demorar mais tempo” a renovar-se — assumiu neste congresso o rosto e a voz do que discordam do recente caminho de coligação seguido pelo partido. Também alertou para a crescente precariedade laboral na Alemanha, tendo pedido o voto dos delegados no congresso para “combater com determinação” estas situações.

São as fraturas que a nova líder terá agora de enfrentar e resolver. Depois dos fracos resultados obtidos nas últimas eleições, em setembro, onde obteve uma histórica percentagem de 20,5%, o SPD luta agora por reconquistar o eleitorado perdido nos últimos anos de governação dominada por Merkel. Para reanimar o partido, são muitos os que defendem que Nahles tem a difícil missão de unir as alas de esquerda e centro dentro do SPD, e que disso pode depender, não só a sua permanência como líder, como a própria sobrevivência do partido

(artigo atualizado às 7h00 de 23 de abril com os resultados definitivos da eleição no congresso do SPD que deu a vitória a Andrea Nahles)

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