O jogo 3 da final do Campeonato Nacional de voleibol tinha tudo para ser uma daquelas partidas que funcionam como grande promoção à modalidade e em nada defraudou as expetativas, até por ser o encontro mais equilibrado até ao momento depois dos triunfos pela margem máxima de Benfica e Sporting no arranque da última fase da prova. A decisão acabou por chegar apenas na “negra”, com os principais jogadores nitidamente desgastados após mais de duas horas e meia de grande nível, e os leões levaram a melhor por 3-2 em Alvalade, ficando agora apenas a um triunfo de ganhar o título que poderá surgir no próximo sábado, no pavilhão da Luz.

Dando uma vista de olhos pelos jornais e olhando para o ambiente que se vivia no Pavilhão João Rocha, a ideia de “choque de mundos” ganhava uma nova perspetiva: no caso dos verde e brancos, que regressaram este ano ao voleibol, trata-se de um início de ciclo que, mesmo estando em ano zero, perspetiva voos mais altos; do lado dos encarnados, que nos últimos cinco anos ganharam quatro Campeonatos, três Taças e quatro Supertaças, é um final de ciclo, com a anunciada saída de José Jardim e a possível entrada de um treinador estrangeiro (Marcel Matz, brasileiro que já passou pelo Japão e orienta agora o Canoas, foi este domingo falado como possibilidade). Em resumo, será sempre um arranque ou um epílogo de sonho. E é isso que dá outro peso e interesse a esta final.

Ao contrário do que se passou este sábado, em que o Benfica até entrou melhor na partida, o Sporting esteve desde início na frente do primeiro set, chegando em vantagem aos dois tempos tempos técnicos (8-6 e 16-13). Com Luke Smith em destaque (apesar de ser um jogador “discreto”, o australiano foi o elemento com maior eficácia de remate da fase regular), os leões foram mais fortes e fecharam com 25-20 um parcial onde os serviços flutuantes e os pontos em contra ataque acabaram por fazer a diferença. Em paralelo, Zelão, central brasileiro que tinha sido a grande referência da distribuição de Tiago Violas pela zona central, teve de ser assistido no pé na parte final e acabou por ficar de fora também no início do segundo set, dando lugar a Marc Honoré nos pontos iniciais.

O segundo set começou da mesma forma, com o conjunto verde e branco a fazer o seu jogo e os encarnados longe do seu melhor rendimento, com demasiados erros individuais. Exemplo? Marc Honoré falhou um “penalty” (remate em zona central sem oposição), o Sporting fez 8-6 e o Garret Muagututia conseguiu de seguida um serviço direto. José Jardim ainda pediu desconto de tempo com 13-9, mas a segunda paragem técnica chegaria com 16-12. No entanto, e com Mrdak no serviço, o Benfica conseguiu chegar ao empate, teve tudo para passar para a frente (o que não conseguiu aí) e arrancou mesmo um importante triunfo, passando de 17-20 para 26-24 nas vantagens.

Motivado pelo triunfo no segundo parcial, o Benfica conseguiu finalmente assentar o seu jogo habitual no arranque do terceiro set, chegando ao primeiro tempo técnico com uma vantagem de três pontos (8-5) que acabou por ser desfeita pouco depois com a melhoria do Sporting a nível de serviço, bloco e defesa baixa. O João Rocha, que contou também com a presença de muitos adeptos visitantes, estava ao rubro com a alternância no resultado (16-15 no segundo tempo técnico, com o último ponto dos leões, por falta na rede de Tiago Violas, a motivar muitos protestos por parte dos jogadores e do banco encarnado) e assim se manteve até ao 25-19 final, muito influenciado pelo parcial de 4-0 que o conjunto de Hugo Silva conseguiu arrancar no serviço do americano Muagututia.

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Com Agámez, a principal referência atacante do Sporting, de fora a receber assistência por um problema nas costas, o quarto parcial teve um início fortíssimo dos dois lados, com grande sustentação de bola e jogadas fantásticas que eram celebradas quase como vitórias em sets pelos jogadores. Os encarnados chegaram à primeira pausa técnica na frente (8-6), alargaram a vantagem fruto de uma subida a pique a nível de bloco e defesa (16-11 na segunda paragem) e tiveram um set de total domínio, que chegou ao fim com o triunfo por 25-18 e já com muitos elementos que tinham começado o encontro de fora a serem chamados ao jogo no intuito de poupar as principais unidades.

Com as duas equipas em clara quebra física, adensada por um ponto que fez o 2-2 em que as defesas estiveram no limite (no final, houve jogadores dos dois conjuntos a caírem no solo…), o Benfica acabou por ser mais forte até à troca de campo (8-5) mas o Sporting conseguiu ainda encontrar forças para encetar uma fantástica recuperação e vencer o último e decisivo parcial por 15-13, ficando agora a um triunfo da conquista do título.

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“O meu coração? Está tranquilo, lido bem com o stresse competitivo… Foi um grande jogo de voleibol, espetacular, muito equilibrado e com um último set a mostrar o que é esta equipa, a raça e a vontade. Não há vencedores antecipados e o fator casa não tem nada de especial, por isso tem de ser ponto a ponto, set a set. Acusámos um pouco mais o cansaço, o que já era de esperar tendo em conta a idade dos nossos jogadores, mas o crer superou isso. Não vale a pena pensar em festas, sabemos bem que quem antecipa isso acaba sempre por correr mal”, comentou Hugo Silva, treinador do Sporting, na flash interview à Sporting TV após o final do encontro.

“Entrámos bem no último parcial, tivemos oportunidades de alargar ainda mais a diferença no quinto set sobretudo numa bola em que podíamos fazer o 10-6 mas também houve mérito da equipa do Sporting e a decisão surgiu nos detalhes. Foi um grande jogo, com duas grandes equipas e uma grande propaganda para a modalidade. Alterámos alguns aspetos do nosso jogo de ontem para hoje, a diferença foi evidente ao longo do encontro e continua tudo em aberto nesta final”, salientou José Jardim, treinador do Benfica.