Lisboa

Mais de 26 mil exigem crescimento e desenvolvimento do “desprezado” Baixo Alentejo

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O movimento de cidadãos "Beja Merece +" entregou na Assembleia da República uma petição com mais de 26 000 assinaturas a reivindicar "o crescimento e o desenvolvimento" do "desprezado" Baixo Alentejo.

Delegação foi recebida pelo assessor do presidente da Assembleia da República

Tiago Petinga/LUSA

O movimento de cidadãos “Beja Merece +” entregou esta quinta-feira na Assembleia da República (AR) uma petição com mais de 26.000 assinaturas a reivindicar “o crescimento e o desenvolvimento” do “desprezado” Baixo Alentejo pelo poder político. Centenas de pessoas deslocaram-se esta quinta-feira de Beja até Lisboa para se concentrarem em frente ao Parlamento, onde uma delegação foi recebida pelo assessor do presidente da AR, e entregou uma petição com diversas reivindicações para o Baixo Alentejo, nomeadamente a exigência de melhores acessibilidades para a região.

“Vamos espoletar todo o procedimento legal da entrega da petição e discussão com cada grupo parlamentar sobre as propostas que vamos fazer. [são] 26.101 assinaturas que querem um projeto-lei que contemple o crescimento e desenvolvimento do Baixo Alentejo, que é uma região desprezada”, afirmou aos jornalistas Florival Baiôa do movimento “Beja Merece +”. A conclusão da Autoestrada 26 até Vila Verde de Ficalho, passando por Beja, a requalificação de estradas de acesso à região, a eletrificação dos troços ferroviários Beja-Casa Branca e Beja-Funcheira da Linha do Alentejo, o “total aproveitamento” do aeroporto de Beja e melhores serviços de saúde para o Baixo Alentejo são algumas das exigências.

“Os próprios empresários não podem investir porque não há acessibilidades. Os Governos estão a impedir o nosso desenvolvimento e crescimento. Nós queremos ser cidadãos como em qualquer parte do país, mas neste momento não podemos porque não há desenvolvimento”, acusa o porta-voz deste movimento de cidadãos. Para justificar o seu ponto de vista, Florival Baiôa deu ainda outro exemplo relacionado com a área da saúde.

“Beja é a única capital de distrito que não tem uma ressonância magnética no seu hospital. Todos os instrumentos de diagnóstico estão, neste momento, entre o Paleolítico inferior e o Paleolítico médio. Significa que nem os médicos querem ir [para Beja] porque não podem tratar os seus doentes. Têm de ir para Évora ou para Lisboa. Há um impedimento do poder [político] em relação à nossa região e isso é dramático”, lamentou. O porta-voz deste movimento de cidadãos contou que já reuniram com todos os grupos parlamentares.

“Todos disseram que era importante haver uma eletrificação do caminho-de-ferro, moderna, acessível a Lisboa e ao Algarve, que é favorável às questões turísticas. Todos disseram que era fundamental a acessibilidade, ou um IP8, como se contava antigamente, e há necessidade de criar indústrias legais para criar indústrias no aeroporto. Todos estão de acordo. Aquilo que estranhamos é porque é que todos os partidos no parlamento estão de acordo e quando chega à parte prática, a estas leis e a este investimento direto, toda a gente se esquece?”, questionou Florival Baiôa.

No entender deste movimento cívico “há uma má vontade em relação ao crescimento” que defendem para o Baixo Alentejo, situação que não compreendem, pois, dizem, pagam impostos como todos os portugueses. “Há um desgosto enorme. Mais de 25.000 assinaturas da petição é 20% da população que está assinando uma petição em que queremos mais coisas. Mas isto é o mínimo indispensável para que consigamos estancar o isolamento, a parte demográfica. Não há filhos, não há netos, que possam ficar numa terra, onde, de facto, não há emprego”, descreve Florival Baiôa.

Gabriela Palma, de 45 anos, foi uma das centenas de pessoas que rumou de Beja até Lisboa, para chamar mais atenção para o “abandono” do Baixo Alentejo. “Sinto que há um tipo de abandono em relação a Beja, ao distrito e ao Baixo Alentejo. Porque, desde as acessibilidades, as estradas, os comboios, o não desenvolvimento do aeroporto e, principalmente, os cuidados de saúde, estão completamente ao abandono. Este foi o primeiro passo para vir cá e despertar um bocadinho mais a atenção das pessoas. Também somos portugueses, também pagamos impostos igual a todos os outros portugueses e, lamentavelmente, não estamos a ser tratados da mesma forma”, afirmou a manifestante.

A poucos metros estava Maria João Nogueira, 35 anos, natural de Beja, mas residente em Almada. “O poder decisório esquece bastante o interior e cada vez mais as cidades no interior estão desertificadas. Temos de lutar contra isso: por melhores condições, por mais serviços, pelas vias de comunicação em Beja. Beja precisa de uma autoestrada, precisa que se termine a autoestrada, precisa de um comboio. Quanto ao aeroporto, a minha opinião já é mais divergente, mas também precisa de mais e melhor saúde”, defendeu a jovem.

No fim da concentração, os manifestantes rumaram até Belém onde realizaram um piquenique junto à residência oficial do Presidente da República.

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