O governo neozelandês e a indústria alimentar do país planeiam abater 150 mil vacas devido a uma bactéria infecciosa que está a ameaçar o gado na Nova Zelândia, chamada Mycoplasma Bovis. A primeira-ministra do país, Jacinda Ardern, afirmou esta segunda-feira estar solidária com os agricultores que vão sentir a “dor” de perder os seus animais mas avisou para a necessidade de seguir o plano, que terá um custo estimado de 886 milhões de dólares neozelandeses (cerca de 528 milhões de euros), distribuídos entre fundos públicos (cerca de dois terços) e fundos da indústria alimentar. O objetivo é salvaguardar o restante gado do país. A Nova Zelândia tem cerca de dez milhões de vacas, o dobro do número de humanos que vivem no país.

Não sabemos, a longo prazo, que impacto poderia ter [a bactéria] numa indústria que é incrivelmente importante para a economia da Nova Zelândia. Portanto, se tivermos a oportunidade de ser o [primeiro] país que erradica esta doença, vamos aproveitá-la”, disse a primeira-ministra neozelandesa.

A economia neozelandesa depende fortemente da indústria alimentar. Em junho do ano passado, a bactéria foi pela primeira vez detetada no país. O objetivo para os próximos anos é abater todas as vacas (incluindo as aparentemente saudáveis) existentes em quintas nas quais a bactéria tenha entrado. A Mycoplasma Bovis já foi detetada em 38 quintas, mas as previsões do governo e indústria alimentar neozelandesa apontam para 142 quintas tenham sido ou venham a ser atingidas. As autoridades neozelandesas estão ainda a investigar como é que a bactéria entrou no país e prometem dar “todo o apoio” necessário aos agricultures, incluindo “compensações adequadas”.

A Mycoplasma Bovis é uma bactéria que afeta o gado bovino — embora outros animais possam transportar a bactéria, sem grande prejuízo para a sua saúde — e resiste a tratamento por penincilina e outros antibióticos. Não causando preocupações relativas ao posterior consumo humano de carne, leite ou outros produtos extraídos destas vacas, a Mycoplasma Bovis provoca a estes animais doenças como artrites e mastites (inflamação da glândula mamária) e, pela facilidade de transmissão, põe em perigo todo o gado do país.