A Câmara das Caldas da Rainha aprovou esta segunda-feira uma proposta do PSD para ouvir em audição a empresa responsável pela manutenção das canalizações do Hospital Termal, onde os tratamentos estão suspensos devido à deteção da bactéria “Pseudomonas”.

“A situação do Hospital Termal preocupa-nos seriamente”, divulgou esta segunda-feira a Comissão Política Concelhia do PSD após a vereação deste partido ter solicitado uma audição à Artecer, empresa responsável pela instalação e manutenção dos equipamentos termais.

O PSD defende, em comunicado, que a empresa deve ser ouvida para que sejam esclarecidas “as intervenções realizadas, as anomalias verificadas e as eventuais responsabilidades técnicas” que levaram à suspensão dos tratamentos termais, no passado dia 20.

A audição proposta pelo PSD foi esta segunda-feira aprovada com os votos dos três vereadores deste partido e um do Chega e os votos contra do Movimento Vamos Mudar (VM), que lidera o executivo.

“É indispensável apurar o que aconteceu nas intervenções realizadas ao longo dos últimos dois anos”, considera o PSD, que solicitou o acesso às comunicações trocadas, desde outubro de 2025, entre a empresa, a autarquia e a direção técnica do hospital.

Os tratamentos no Hospital Termal das Caldas da Rainha, no distrito de Leiria, foram suspensos devido à deteção de uma colónia da bactéria ‘pseudomonas’, situação confirmada na quinta-feira pela Câmara Municipal, que gere o património termal.

Em comunicado, a autarquia esclareceu nesse dia que “a bactéria foi detetada apenas na Central Técnica e não nos furos de captação de água”, localizados na Mata Rainha D. Leonor, garantindo não estar em causa “a saúde das pessoas” que frequentam as termas.

Segundo a câmara, a bactéria poderá estar relacionada com “intervenções técnicas iniciadas no dia 5 de agosto para a substituição da bomba submersível do furo AC2, que se encontrava com anomalias”.

No comunicado emitido esta segunda-feira, o PSD lembra que já há duas semanas tinha questionado o executivo sobre o caso e critica o presidente, Vítor Marques (VM), por a situação “já ser conhecida” e não ter sido comunicada aos vereadores.

Os social-democratas consideram “necessário assegurar que existem planos de manutenção preventiva, procedimentos adequados, recursos técnicos e humanos suficientes e mecanismos de controlo capazes de identificar problemas antes de estes obrigarem ao encerramento”, bem como “garantir que os sistemas que permitem ao hospital funcionar estão operacionais e que a qualidade da água é permanentemente assegurada”.

Assim, o PSD exige conhecer “a sequência exata dos acontecimentos desde a identificação da anomalia no furo AC2: que intervenções foram efetuadas, quem as acompanhou e validou, quais os resultados das análises realizadas antes e depois dos trabalhos e que condições terão de estar reunidas para a reabertura” dos tratamentos.

Quer ainda ver esclarecido o número de vezes que foi usado um furo de reserva e que “critérios técnicos determinaram as mudanças entre furos e se foram cumpridos todos os procedimentos e obtidas as autorizações necessárias”.

No texto, o PSD acusa o executivo de atrasos na comunicação do encerramento às entidades competentes e recusa aceitar “que um assunto desta dimensão seja tratado através de informações parciais, corrigidas apenas à medida que surgem novas perguntas”.

O Hospital Termal das Caldas da Rainha integra o património termal concessionado pelo Estado à câmara em 2015.

Antes da concessão à autarquia, o hospital foi alvo de vários encerramentos, o mais prolongado dos quais em 1997, quando os tratamentos estiveram suspensos por três anos e meio devido à presença de ‘pseudomonas’.

Os tratamentos voltaram a estar suspensos, por diferentes períodos, em 2004, 2005, 2009 e 2012.

Em 2016, já sob gestão camarária, foi executada uma nova rede de distribuição de água termal totalmente independente, substituindo as canalizações antigas para evitar novas contaminações.

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