O Presidente da República defendeu esta sexta-feira que a eleição de António Vitorino para diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM) é uma vitória para o mundo, contra os protecionismos, xenofobias, clausuras e intolerâncias.

Em declarações aos jornalistas, na varanda do Palácio de Belém, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que esta notícia constitui “uma grande alegria para Portugal”, mas que, “neste tempo, no domínio tão sensível das migrações”, a escolha de alguém como António Vitorino para um cargo destes “é uma vitória também para o mundo”.

“Alguém que tem experiência, foi comissário [europeu] nesta área e foi um ótimo comissário, tem uma visão aberta, global, que chega a todos os continentes, ter um dossiê tão sensível é tão bom para o mundo. Contra os protecionismos, contra as xenofobias, contra as clausuras, contra as intolerâncias”, acrescentou, concluindo: “É uma ótima notícia”.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, nesta matéria, como noutras, Portugal tem um papel de “plataforma entre culturas, oceanos e continentes”.

Nas migrações, nota-se, é particularmente sensível. Já se notou nos refugiados. Está clara nas Nações Unidas. Quer dizer, por toda a parte a escolha de portugueses excecionais significa que o país, ele próprio, tem esta vocação e que a nossa política externa, mantendo-se a mesma, conhece um dado novo: somos mais importantes no mundo do que éramos”, sustentou.

Sobre a sua conversa telefónica com António Vitorino, o Presidente da República disse que aconteceu “no momento preciso em que estava a formular-se a aclamação, porque houve ali um compasso de espera até converter-se o que seria uma votação de dois terços numa aclamação”.

Foi uns segundos antes de ser formalizada a aclamação. E ele estava legitimamente feliz, porque ele, nas audições a que foi submetido, fez prestações brilhantíssimas – eu ouvi isso da parte de vários chefes de Estado e chefes de Governo”, relatou Marcelo.

O advogado António Vitorino, antigo comissário europeu, foi esta sexta-feira eleito diretor-geral da OIM por aclamação, na quarta ronda de votações, vencendo a candidata costa-riquenha Laura Thompson. O Governo português oficializou em dezembro do ano passado a candidatura do socialista – que foi ministro da Presidência e da Defesa Nacional – à liderança desta organização criada em 1951 e atualmente integrada no sistema das Nações Unidas, com 169 Estados-membros.

O Presidente da República já tinha divulgado uma nota a felicitar “calorosamente” António Vitorino pela sua eleição para diretor-geral da OIM, bem como o Governo e a diplomacia portuguesa.

Aos jornalistas, reforçou essa mensagem: “É uma vitória do doutor António Vitorino, que é excecional, mas é uma vitória do Governo, do senhor primeiro-ministro, do senhor MNE, da nossa diplomacia. Todos eles contribuíram de forma, há que dizer, também notável para a vitória”.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que assistiu e também participou nesta campanha, que no seu entender “foi uma campanha difícil, quase tão difícil como a campanha do senhor engenheiro António Guterres [para secretário-geral das Nações Unidas], porque havia à partida candidatos muito fortes”.