A oferta de “serviços” de transporte de migrantes de países como a Líbia, Turquia, Afeganistão, Marrocos ou Argélia, pela máfia da imigração clandestina é cada vez maior. O preço das viagens varia entre os cerca de 500 euros e os quase 13 mil, consoante o meio em que as travessias sejam feitas.

Os anúncios são feitos através das redes sociais e o destino prometido é quase sempre a Europa. As redes de traficantes publicitam os seus serviços como se de simples agências de viagens se tratassem, de acordo com o Gabinete Europeu de Apoio em matéria de Asilo (EASO). O jornal El Mundo dá o exemplo de uma pessoa que oferece viagens clandestinas da Turquia para a Grécia por cerca de 500 euros, se a viagem for feita em embarcações de borracha, mais de 850 euros, se atravessarem o Mediterrâneo em motas de água, ou quase 1.300 euros se a travessia for feita em embarcações de maiores dimensões.

As “agências” fazem anúncios — sobretudo em páginas de Facebook e no Instagram, mas também no YouTube, Google e Twitter — bastante apelativos e dizem praticar “o melhor preço”. Nas publicações, chegam mesmo a garantir a chegada dos migrantes a porto seguro. Os traficantes oferecem viagens para a Europa via mar, terra e, até mesmo, ar, e  os contratos são depois fechados através da utilização de aplicações como o Whatsapp ou o Viber.

O jornal espanhol dá ainda conta de um utilizador que pergunta a um dos traficantes se faz o percurso a partir de Cabul, Afeganistão. A resposta é afirmativa e os preços rondam os cerca de 2.200 euros por pessoa, exceto “para os menores de 10 anos” para quem “as viagens são grátis”. Mas também pode fazer a viagem de avião até à Alemanha., sendo que o preço sobe para os quase 13 mil euros, mas já inclui um visto Schengen falsificado. Há ainda quem ofereça, através do Instagram, uma “confortável viagem desde a Turquia até Itália” num barco de luxo por 6.500 euros, ou mesmo quem disponibilize um serviço de táxi entre a Grécia e a Turquia por 3.000 euros.

De acordo com o EASO, os imigrantes podem conseguir de tudo através das redes sociais: desde passaportes falsos a contratos de trabalho, guiões explicativos de como obter asilo, e, claro, as travessias. Um relatório publicado em 2017 pelo Centro Europeu de Tráfico de Migrantes da Europol mostra que, só em 2016, foram detetados 1.150 perfis nas redes sociais pertencentes a redes de traficantes que trazem imigrantes ilegais até à Europa.

A porta-voz da Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas refere que é por estas razões que “para muitas pessoas que fogem das guerras ou perseguições, os seus smartphones são um dos bens mais valiosos”. Izabella Cooper acrescenta que as páginas de Facebook são “geridas por intermediários” e que se parecem com autênticas agências de viagens, apresentado todas as informações necessárias (fotos, preço, rota, e até dicas de rotas ou países a evitar). O problema é que estas páginas desaparecem tão rapidamente como aparecem, o que dificulta o trabalho das autoridades.

A análise feita às redes sociais pela EASO desde 2017 mostra que os destinos mais populares são Alemanha e Itália, mas Espanha, por exemplo, também é mencionada várias vezes. A Europol assegura que 90% dos imigrantes irregulares que estão em contacto com os traficantes são transportados por eles até à Europa.