Avanços indesejados, pedidos de favores sexuais ou qualquer outro comportamento com intuito sexual? A pergunta enviada por mail a 24 mil funcionários do Banco Mundial não foi feita exatamente assim, mas incluiu estes termos. O objetivo era perceber se, dentro da instituição com sede em Washington, também haveria queixas de assédio sexual. E das cinco mil respostas percebeu-se que em 25% das mulheres inquiridas e 4% dos homens a resposta era sim.

Das conclusões divulgadas internamente em maio, e a que o El Pais teve acesso, conclui-se também que os trabalhadores sentiram receio de denunciar esses comportamentos. Só 12 % se queixou: 32% destes mantiveram-se em silêncio por temerem consequências profissionais, 27% acredita que nada mudou e 23% não confia no sistema. Quanto aos que denunciaram os comportamentos de assédio sexual, 50% respondeu ter ficado insatisfeito com o resultado enquanto 38% revelaram sentir-se satisfeitos. Por outro lado, 18% dos que reclamaram confessam que sofreram represálias.

O inquérito foi enviado em março a 24 mil funcionários do Banco Mundial e entidades associadas. Das 5.056 respostas que já chegaram e que permitem chegar a algumas conclusões, 57% são de mulheres, 40% de homens e 3% não identificou o género. Recorde-se que dois terços dos funcionários da instituição trabalha na sede do Banco Mundial, em Washington.

Outra das conclusões que se pode tirar é que 6% dos inquiridos diz ter sido vítima em três ou mais situações ao longo dos últimos três anos e 4% não se sente seguro no seu posto de trabalho por causa do assédio sexual e pondera mesmo abandonar funções. Mais. 10% dos homens e 11% das mulheres garantem mesmo ter testemunhado casos de assédio sexual a colegas.

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No mail enviado aos funcionários, o Banco Mundial revela que é sua intenção manter a empresa um local seguro para trabalhar. E esta não é a primeira vez que os responsáveis pela instituição o demonstram. Nos últimos meses foi mesmo contratada uma consultora para poderem investigar casos de assédio sexual e para formar os funcionários na prevenção do assédio sexual.

 “Não vamos tolerar transgressões que ponham em perigo a nossa missão vital de acabar com a pobreza e criar oportunidades para milhões em todo o mundo”, escreveu o presidente do Banco Mundial, JimYong Kim no mail enviado em março aos funcionários.