A procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, vai liderar uma investigação especial sobre uma alegada violação na Universidade de Cornell, após ter sido revelado que a polícia do campus omitiu parte do depoimento da vítima.

A governadora democrata Kathy Hochul decidiu afastar da investigação o procurador do condado de Tompkins, onde está localizada a universidade, entregando o caso à procuradora-geral estadual.

A decisão ocorreu depois de o procurador Matthew Van Houten ter revelado hoje, em conferência de imprensa, que a polícia de Cornell transmitiu apenas parcialmente o depoimento inicial da jovem, identificada judicialmente como “Jane Doe”.

Segundo Van Houten, entre os elementos omitidos estava uma declaração da jovem: “Posso dizer com 100% de certeza que fui violada”.

No início desta semana, o procurador tinha afirmado que “a declaração jurada de Jane Doe não alegava que ela tivesse sido drogada contra a sua vontade nem violada em grupo”, acrescentando que o consumo de drogas e os atos sexuais tinham sido voluntários, conscientes e consensuais.

O caso remonta à noite de 19 para 20 de outubro de 2024, numa festa da fraternidade Chi Phi, onde a jovem consumiu álcool e, segundo o seu relato, foi pressionada a consumir cetamina por via nasal. A mulher alega que, sob o efeito de álcool e de um anestésico, foi posteriormente violada durante várias horas por sete estudantes.

A queixa apresentada pelos advogados da jovem sustenta que esta demorou alguns dias a assimilar o sucedido, antes de apresentar a sua versão dos acontecimentos à polícia da Universidade de Cornell. Segundo Hochul, parte desse depoimento acabou por ser omitida na transmissão do caso.

A universidade manifestou apoio ao envio do processo para o tribunal e rejeitou as acusações de que os estudantes envolvidos não tenham sido punidos. Segundo Cornell, dois dos estudantes foram expulsos e, em nenhum momento, as sanções aplicadas se limitaram à elaboração de um ensaio, como chegou a ser noticiado.

Quatro dos sete estudantes admitiram ter mantido relações sexuais com a jovem, mas sustentam que foram consensuais. Os outros três negaram ter participado nos atos denunciados.