PSP

Direção Nacional da PSP propõe ao MAI fechar algumas esquadras para ter mais polícias na rua

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A Direção Nacional da PSP fez um plano de reestruturação das esquadras, sobretudo em Lisboa e no Porto, e pediu ao MAI para encerrar algumas delas para poder ter mais polícias na rua.

Comando aguarda decisão do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita

TIAGO PETINGA/LUSA

“São dois homens agarrados a uma parede”. A expressão é do próprio comandante da Divisão da PSP da Amadora, o subintendente Resende, que, cansado da falta de homens no terreno, decidiu pedir à Direção Nacional (DN) da PSP para tomar a medida mais drástica: encerrar duas esquadras da Divisão, que atualmente já pouco trabalho movimentam e que prendem à secretária dois polícias em permanência. Não é caso único. Ao Observador, a DN admite que já enviou ao Ministério da Administração Interna (MAI) um plano de reorganização das esquadras, que pressupõe o fecho de algumas, sobretudo em Lisboa e no Porto. Objetivo: ter mais polícias na rua e poder responder mais rapidamente.

Como a decisão de encerramento é do MAI e demora mais tempo a chegar, na Amadora já se tomou uma decisão intermédia: neste momento, as esquadras da PSP de Alfornelos e da Mina fecham as portas à noite e apenas abrem ao público entre as 8h e as 18h00, e só durante a semana.

O papel afixado na esquadra de Alfornelos há já alguns dias despertou a atenção. Contactado pelo Observador, o subintendente não teve qualquer problema em esclarecer o novo horário. Na verdade, explicou, “a esquadra de Alfornelos não existe, nem nunca existiu”. Não existe, ressalvou, no “sentido administrativo”, porque “funciona como um posto de atendimento, sem capacidade de projetar meios humanos ou materiais”, respondendo ao comando de outra esquadra. Mais, em termos práticos, passam dias em que não recebe uma única participação e a esquadra mais próxima, a da Brandoa, está localizada apenas a um quilómetro.

Obriga-me a ter dois homens por turno, um para atendimento e outro para a sentinela e são menos dois homens na rua. A minha proposta é para encerrar, mas isso só pode ser feito pelo MAI, então foi autorizado reformular o funcionamento”, explicou o subintendente Resende.

E esta não foi a única proposta de encerramento que fez na Divisão policial que comanda desde setembro. Atualmente, os serviços administrativos e o gabinete do próprio subintendente Resende funcionam na esquadra da Mina, também um posto de atendimento. Mas o oficial quer passar para a Mina a esquadra do Casal de São Brás — e os seus meios — e, assim, encerrar aquele posto policial. “A ideia é ter uma esquadra por freguesia” , explicou, garantindo ter já o aval dos autarcas. “Desde setembro que quero implementar o conceito de polícia on time. Uma resposta imediata, no mais curto espaço de tempo”, disse. O que só consegue com um efetivo policial adequado.

Em resposta ao Observador, a Direção Nacional da PSP admitiu ter iniciado “há algum tempo um processo de racionalização e reorganização de meios”, especialmente nos Comandos de Lisboa e do Porto. Objetivo: “libertar efetivo para o patrulhamento e garantir uma maior flexibilidade da resposta operacional”. No entanto, estas propostas estão ainda a ser analisadas pela tutela, pelo que não avança com “cenário” futuro.

Ao Observador, o Ministério da Administração Interna limitou-se a responder que “o processo sobre a Esquadra de Alfornelos  ainda está em análise”, não respondendo à pergunta sobre possíveis planos para encerrar mais esquadras.

O último balanço social da PSP, referente a 2016, dava conta de um efetivo policial de 20.641 homens, dos mais reduzidos de sempre. A Associação Sindical de Profissionais de Polícia refere, no entanto, que este número atualmente dificilmente chega aos 20 mil.

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